![]() |
| Imagem gerada por Gemini |
Hoje, trago algo que quebra um pouco aquela imagem de que "tokusatsu é só para crianças". Nas décadas de 70, 80 e 90, principalmente, roteiristas como Shozo Uehara, Hirohisa Soda e Toshiki Inoue tratavam assuntos surpreendentemente pesados.
1. Jetman (1991): o Super Sentai que parecia uma novela para adultos
Muitos fãs consideram Jetman o Super Sentai mais sombrio já produzido, e não é para menos.
Ele abordava: triângulo amoroso; ciúme; alcoolismo; desejo de vingança; morte permanente de personagens; relacionamento tóxico.
O caso mais famoso acontece no final: Depois de salvar o planeta, Gai Yuki (Black Condor) é esfaqueado por um assaltante comum. Não é um monstro, nem é o vilão. É simplesmente um criminoso qualquer.
Ele morre silenciosamente sentado em um banco de praça enquanto observa o casamento dos amigos.
Para um programa infantil de domingo de manhã, foi um final completamente inesperado.
2. Ultraseven teve episódios censurados
Existe um episódio real que foi retirado de circulação: O episódio 12, conhecido como "From Another Planet with Love", apresentava alienígenas afetados por radiação, com cicatrizes semelhantes às provocadas pelas bombas atômicas.
Após críticas por lembrar vítimas de Hiroshima e Nagasaki, o episódio foi removido das reprises e permaneceu décadas sem ser exibido oficialmente.
É um dos casos mais famosos de censura da história do tokusatsu.
3. Kamen Rider Black começa com um experimento humano
Muita gente esquece porque assistiu quando criança, mas a premissa de Black é extremamente pesada.
Kotaro Minami (Issamu MInami, no Brasil) é sequestrado; operado contra sua vontade; transformado em um ciborgue; destinado a virar o líder da organização Gorgom.
Ou seja, o herói inteiro nasce de uma experiência de mutilação humana!!!
Essa origem vem diretamente do Kamen Rider original de 1971, que tinha uma pegada muito inspirada em filmes de horror e ficção científica da época.
4. Metalder fala sobre a Segunda Guerra Mundial
Pouca gente percebe isso, pra ser bem sincero. Metalder foi criado durante a Segunda Guerra Mundial, pois seu criador queria construir um "soldado perfeito". Depois da guerra ele fica adormecido por décadas e desperta em um mundo completamente diferente.
É praticamente uma reflexão sobre militarização, consequências da guerra e até "humanidade versus máquinas".
5. Jaspion tem episódios mais tristes do que muita gente lembra
Jaspion costuma ser lembrado pelo humor, mas alguns episódios são surpreendentemente pesados.
Por exemplo: crianças órfãs; pessoas sacrificando a própria vida para salvar outras; monstros que na verdade são vítimas; Edin morrendo diante do próprio filho adotivo; o planeta inteiro quase sendo transformado em um mundo dominado pelos monstros.
O clima dos episódios finais muda bastante em relação ao início da série.
6. Changeman fala sobre genocídio
O Império Gozma não quer apenas conquistar planetas, ele extermina civilizações inteiras. Logo no começo da série, é dito que centenas de planetas já foram destruídos pelo império.
Para uma produção infantil, isso estabelece uma escala de ameaça enorme!
7. Flashman tem um dos finais mais cruéis dos Sentais
Os cinco heróis finalmente encontram a Terra (seu planeta de origem), depois de terem sido sequestrado quando bebês, e sido treinados por seus sequestadores (agora "pais adotivos") em um sitema solar distante. Mas descobrem que seus corpos não conseguem permanecer no planeta por causa da chamada "reação anti-Flash". Com isso, eles são obrigados a abandonar seus familiares logo depois de reencontrá-los.
Não existe solução milagrosa, eles simplesmente vão embora, para não pederem a vida. Até hoje é considerado um dos finais mais melancólicos da franquia.
8. Liveman começa com uma traição
O primeiro episódio já mostra algo raro.
Dois colegas de faculdade dos protagonistas: assassinam amigos; traem toda a equipe; unem-se ao vilão em troca de conhecimento científico.
Não é "lavagem cerebral", eles escolhem fazer isso!
Essa ambiguidade moral era incomum para programas infantis.
9. Ultraman frequentemente trata monstros como vítimas
Um tema recorrente da franquia Ultra é mostrar que nem todo kaiju é mau.
Muitos perderam seu habitat; sofreram experiências humanas; foram contaminados; apenas estavam tentando sobreviver.
Em vários episódios, a vitória do herói é apresentada como uma tragédia, e não como um triunfo. Isso levou a série a discutir temas como destruição ambiental, avanço tecnológico e responsabilidade humana muito antes de esses assuntos se tornarem comuns na TV infantil.
10. Existia uma regra: nem todo final precisava ser feliz
Hoje é comum que séries infantis encerrem cada episódio com uma lição positiva, ao estilo que He-Man fazia nos finais de episódios nos anos 80. Só que nos tokusatsus dos anos 70 e 80 era diferente.
Era relativamente comum terminar um episódio com: alguém morrendo; uma família destruída; um personagem não conseguindo realizar seu sonho; um monstro sendo morto apesar de ser inocente; um herói incapaz de salvar todos.
Essa abordagem refletia uma influência maior da ficção científica e do drama japoneses da época, em vez de seguir a estrutura mais otimista de muitos programas infantis ocidentais.
Uma curiosidade pouco conhecida sobre Jaspion
Existe uma história verdadeira (bem diferente da lenda do "episódio proibido"). Um roteiro para um episódio de Jaspion chegou a ser desenvolvido por Shigemitsu Taguchi, roteirista ligado à franquia Ultraman, mas acabou não sendo produzido. Segundo relatos de bastidores, a proposta teria uma atmosfera mais próxima das séries Ultra, com um tom mais contemplativo e dramático. Isso alimentou por anos especulações entre fãs sobre "o episódio perdido", embora esse episódio nunca tenha sido filmado.
