Jam Station Cultura Pop
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sábado, 7 de janeiro de 2012

O Som Vibrante da Vingança

(publicado originalmente em Reg Thorpe - Fornit Some Fornus)


Se tem um algo que realmente me faz ter a maior vontade de trabalhar com cinema, esse algo é a franquia Kill Bill, de Quentin Tarantino.
Pra começar, se você está disposto a ver algo dirigido por Tarantino, saiba primeiro que não deve levar os filmes dele muito a sério. Não espere ver uma obra prima tensa, como A Lista de Schindler, por exemplo. O cara parece fazer filmes como brincadeira, usando as características mais marcantes de tudo relacionado a cultura pop que gostava quando era criança. Se levarmos em consideração os seus trabalhos mais recentes, notamos referências aos filmes de faroeste de Sergio Leone, tanto pela trilha sonora quanto pelos vários duelos que ocorrem. Outra coisa que marca os filmes de Tarantino são os diálogos legais, que nem sempre adicionam coisas importantes à história, mas que sempre estão no lugar certo.
Kill Bill - Volume 1 foi o seu quarto filme. O primeiro foi o ótimo Cães de Aluguel, seguido pelo  perfeito Pulp Fiction. Depois, veio Jackie Brown, mas esse eu não vi.
Kill Bill - Volume 1 tem todos os elementos reconhecíveis dos filmes do sujeito. Desde a trilha sonora, que parte saiu da obra de Ennio Morricone em faroestes, passando pelos diálogos memoráveis ("Charlie Brown, saia daqui!") e flashbacks, chegando à perfeita imprevisibilidade no roteiro e ausência TOTAL de clichês reconhecíveis.
Qual outro diretor traria um combate de espadas entre Uma Thurman e Lucy Liu? Aliás, foi o primeiro filme em que eu achei a Uma Thurman bonita e totalmente sexy, mas isso é outra história. E Lucy Liu está muito melhor como a "poderosa chefona" japonesa do que como aquela "pantera" insossa.
Lembra que eu havia dito sobre levar os filmes do Tarantino a sério? Então... a regra se aplica também a Kill Bill. Aquelas cenas de luta meio exageradas presentes nos filmes do Jet Li estão presentes aqui também. A diferença é que aqui essas coisas conseguem te descer pela garganta porque... porque... bom, principalmente porque é a Uma Thurman, e a Uma Thurman PODE!!!
A história segue aquela linha conhecida: a vítima que busca vingança e redenção. A mercenária conhecida inicialmente apenas como "A Noiva" passou quatro anos em coma devido a um atentado feito pelos seus ex-colegas de trabalho e, ao despertar, decide acertar as contas.
Muitas são as cenas antológicas. A luta entre a Noiva e Vernita Green logo no início é uma delas, assim como a batalha de espadas entre a Noiva e os 88 Loucos de O-Ren Ishii (com Thurman usando aquele macacão amarelo que a deixou muuuuito gos... hããã... bonita) também é bem conhecida.
Não é todo mundo que gosta de ver esse tipo de cena "mentirosa" de luta. Eu mesmo, odeio filmes com o Vin Diesel, Jason Statham, Jet Li. Mas, como eu disse antes: se você vai ver um filme do Tarantino, não espere por Amelie Poulain, Beleza Americana ou algo do tipo. Vá "desarmado" e certamente você vai se divertir pra caramba.
 
Kill Bill - trailer

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Pulps

(publicado originalmente em Reg Thorpe - Fornit Some Fornus)


Um dos meus diretores de cinema favoritos é Quentin Tarantino. São várias as razões, mas é provável que a principal delas seja o fato de que Tarantino simplesmente faz seus filmes da maneira que gosta, não ligando muito (aparentemente) se vai ser aclamado pela crítica ou não. O sujeito recheia seus longas de referências à cultura pop, filmes e programas preferidos da juventude e, ao que parece, não tem a pretensão nenhuma de fazer obras-primas cabeçudas (parafraseando meu amigo Diego) e artísticas ao extremo. Nenhum dos filmes do Tarantino que vi até hoje deve ser levado muito a sério... e o charme está exatamente aí.

O primeiro filme do cara que vi na vida é, provavelmente o seu melhor - embora às vezes fique difícil escolher entre este, Kill Bill e Bastardos Inglórios. Conheci seu Pulp Fiction (1994) em uma noite de sábado, no SBT, há muitos anos atrás e, instantaneamente, se transformou em um dos meus filmes favoritos de toda a vida.
O termo pulp fiction se refere a publicações com papel de baixa qualidade bastante populares sobretudo nos Estados Unidos na primeira metade do século passado. Essas revistas continham, em sua maioria, histórias de ficção científica e mistério de qualidade duvidosa que viriam (é claro!) a dar origem aos quadrinhos de heróis a partir da década de 1930.
Difícil definir um gênero para Pulp Fiction. Não é exatamente um filme de ação, assim como não se limita a ser um filme de mafiosos (não que isso seja um gênero, mas você entendeu o meu ponto de vista). O lado pulp fiction de Pulp Fiction provavelmente é sintetizado pelas diversas situações absurdas presentes nos pequenos contos de gângsteres que se entrelaçam (os contos, não os gângsteres), embora nenhuma dessas situações possa ser rotulada de irreal. Surreal, talvez, mas não irreal.
Uma das características tarantinescas presentes nesse filme é a cronologia fora de ordem, aspecto presente desde seu filme de estréia, Cães de Aluguel, de dois anos antes. Em uma espécie de prólogo antes dos créditos iniciais, vemos o casal Pumpkin e Honey Bunny planejando o assalto a uma lanchonete. A cena termina com a música-tema Misirlou, de Dick Dale. Aliás, as trilhas sonoras dos filmes de Tarantino também são um caso à parte, mas devo falar disso em um próximo post... ou talvez não. No caso de Pulp Fiction, ainda fazem parte da trilha Urge Overkill, Kool and The Gang e Al Green.
Terminados os créditos iniciais, temos outra cena com marca registrada de Tarantino: os diálogos legais-mas-irrelevantes. Os capangas Jules e Vincent conversam no carro sobre as diferenças entre o cotidiano entre os Estados Unidos e a Europa - simbolizado pelo Royale With Cheese e pela batata frita com maionese. Em seguida, no que eu chamo de cena dos Hambúrgueres e Leões-de-Chácara (essa sim eu vou postar!), ambos fazem um acerto de contas para seu chefe, Marcellus Wallace. Basicamente, esse é o prólogo para várias pequenas histórias que se unem em uma coisa só, que vai desde Vincent levando a esposa do chefe para jantar (a pedido de Marcellus, é claro) desde o "dia mais estranho da vida de Butch", o boxeador que deu um golpe naqueles que lhe pagaram para entregar uma luta.
O que faz com que Pulp Fiction seja diferente dos demais filmes de gângsteres é, entre muitas outras coisas, o fato de que esses pequenos contos sejam recheados de situações bizarras... com destaque para a cena em que Marcellus é... bom, não quero estragar a surpresa para quem ainda não viu o filme.
Pulp Fiction concorreu a sete Oscar, mas só levou o de Melhor Roteiro Original (para Tarantino e Roger Avary). Embora ache que a Academia nunca fosse premiá-lo como Melhor Filme por casa daquela coisa de "não ser filme para ser levado a sério" de que falei, na minha opinião até merecia vencer nessa categoria... se não houvesse concorrido com Um Sonho de Liberdade (outro dos meus favoritos) e com Forrest Gump, que acabou ganhando a estatueta.
Pulp Fiction (ou Tarantino) também foi responsável por trazer John Travolta de volta da obscuridade e dos filmes ruins. Travolta talvez ainda carregasse a imagem do cantor/dançarino de Grease e Os Embalos e Sábado À Noite, e Pulp Fiction parece ter dado novo fôlego à carreira do ator. Também participam do filme Samuel L. Jackson (que quase rouba a cena), Tim Roth e Harvey Keitel, que haviam trabalhado com Quentin em Cães de Aluguel, Uma Thurman (que, anos depois, seria a protagonista da quase-franquia Kill Bill) e Bruce Willis.
Para se ter uma idéia de como Pulp Fiction é respeitado, ele ocupa atualmente a quinta posição na lista dos 250 melhores filmes de todos os tempos, do site The Internet Movie Database.

Merecidíssimo.

Pulp Fiction - trailer
 

domingo, 1 de janeiro de 2012

Bastardos!

(publicado originalmente em Reg Thorpe - Fornit Some Fornus)


O Tarantino é meio xarope das idéias, isso é fato. O cara começou a carreira de diretor com Cães de Aluguel, em 1992 (que início!) e já dois anos depois arregaçou tudo de vez com Pulp Fiction! O sujeito é totalmente nerd e deixa transparecer isso em seus filmes, com o estilo da linguagem de Histórias em Quadrinhos. Em alguns filmes, há também referências diretas à HQ's.
Bastardos Inglórios tem, sem dúvida NENHUMA a cara do Tarantino. Várias histórias entrelaçadas, trilha sonora legal e pouquíssimos clichês no roteiro. Há também o fato de que, nesse filme em particular, o cara brinca com a História e faz isso com muito estilo.
O filme se passa durante a Segunda Guerra Mundial. Os bastardos em questão são um grupo secreto do exército americano especializado em matar nazistas. Só isso: MATAR nazistas, nada mais. Bom, talvez eles façam algumas coisas com os nazistas depois de mortos, mas puramente por causa dos "caprichos" do sangue indígena(!!!) do líder desse grupo. Há outras histórias no filme que se amarram no final, mas não vou estragar a surpresa. Se puder, assista.
Difícil definir qual é o melhor filme de Quentin Tarantino. Junto com o Chris Nolan, é o meu diretor favorito. Gostei de tudo que vi feito por ele, com exceção, talvez de Prova de Morte e ainda assim devido à edição brasileira.
Cães de Aluguel, o filme que marcou sua estréia, tem uma história relativamente simples, trilha sonora baseada nos programas de rádio nos anos 70 e já mostra um pouco desse "desprezo" pelo clichê que eu mencionei acima.
Pulp Fiction tem uma história também simplória, mas muito pouco previsível. A trilha sonora  segue o mesmo estilo de Cães de Aluguel e tem os típicos diálogos-irrelevantes-mas-legais.
Bastardos Inglórios tem as características dos filmes acima, exceto pela trilha sonora. Boa parte da música vem diretamente dos velhos faroestes do Sergio Leone. O roteiro também é MUITO mais ousado do que os anteriores. Basta ver a última cena em que Hitler aparece no filme e você vai entender do que eu estou falando.
Bastardos concorreu ao Oscar de melhor filme e direção (entre outros, dos quais só venceu à categoria de ator coadjuvante com Christoph Waltz, merecidamente). Sinceramente gostei muito mais desse do que Guerra ao Terror e de Avatar, embora esses dois também tenham sido bons. Bom, de qualquer forma, EU teria dado os prêmios de melhor filme e melhor direção a Bastardos Inglórios, assim como o de edição, talvez.

Vale a pena!