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Onde os cinéfilos não têm vez. Ou como sempre as pessoas desprezam grandes obras do cinema. Ou ainda o incrível caso do “não importa quão ruim seja o livro original, o filme ainda assim vai ser pior”. Ou o caso do não quero comprar filme, baixo na net e foda-se.



Onde os cinéfilos não têm vez. Ou como sempre as pessoas desprezam grandes obras do cinema. Ou ainda o incrível caso do “não importa quão ruim seja o livro original, o filme ainda assim vai ser pior”. Ou o caso do não quero comprar filme, baixo na net e foda-se.

Todos os títulos acima poderiam constituir o primeiro parágrafo deste texto que vos trago. Obviamente, não quero dizer que o cinema é sempre melhor que os livros, mas tampouco o inverso é verdadeiro. Fique bem claro, que estou falando mesmo de filmes preto e branco e/ou mudos. Ainda assim é bom ressaltar que sou bibliófilo. O dono do blog que estou postando tal texto pode confirmar, mas para quem não quer ver isso vejam algumas fotos:










Acho que chega, né?! Além das contas meu único gasto garantido são livros. Tenho mais de 500 livros com larga probabilidade de ter uma folga grande de 500 volumes extras, talvez, somando até o triplo = (500 + 500) x 3 = 3.000 volumes. Obviamente, isso até recentemente. Porque comecei a acumular boxes de filmes. Por enquanto meus únicos boxes são de cinema japonês. Eis a coleção completa:



Sim, eu sei são todos de uma produtora só. Exceto o outro box de Mizoguchi que é da Lume Filmes, mas há uma razão para isso: o desprezo e descaso da maioria das distribuidoras de filmes no Brasil. Se o nosso mercado de livros é de “luxo” não havendo no exterior nenhum mercado parecido em questão de edições luxuosas: Cosac&Naify que o diga. É caro, mas você paga pelo que recebe. O mesmo infelizmente não pode ser dito sobre DVDs, Blu-Ray e Home Vídeo em geral. O cinéfilo convicto que depende do nosso parco mercado de DVDs e edições especiais sabe do que falo. Esses boxes da versátil são lindos, certo? Porém, eles são já quase tudo que se lançou de cinema asiático além do Kurosawa. Ou se não, são uma quantidade expressiva do catálogo da Cultura (Sim, a famosa livraria cultura que tem TUDO referente à música, cinema e livros). E, não, o mercado asiático de filmes não é fraco em clássicos. Muito embora ele não seja apreciado mundialmente é por conta de outros fatores. Em especial, aqueles culturais.

Então, onde que quero chegar com tudo isso? Bem antes de culpar alguém é bom olhar que surgiu uma produtora de DVDs (distribuidora, perdão) que divulga filmes clássicos em coleções a preços baratos e educa o consumidor que gostaria de assistir filmes que antes não estariam disponíveis a nós. Obviamente, nem todo mundo tem essa disposição e há produtoras com preços altos e abusivos distribuindo filmes caros. O porém dessa história é que o consumo de filmes no Brasil se dá, muitas vezes, por meio de mídia pirata, youtube ou outros sites. Somos campeões. Filme é artigo para assistir uma vez e jogar fora. Não existe o fetiche do livro. Filme é camisinha, filme é CD. Ele dificilmente tem tratamento digno e digamos que o mercado de DVDs respondeu muitos anos à essa falta de estímulo e cultura cinéfila de forma abusiva. Contudo, não quero falar das agruras dos colecionadores de DVDs. Categoria à qual estou me convertendo aos poucos colecionando por regiões do mundo.

Ser cinéfilo no Brasil é sinônimo de ser babaca. Compra pirata, dizem. Para que gastar dinheiro com isso? Ou pior: vcs vão ver esse filme? (Frase sempre proferida com relação à filmes preto-e-branco. Aplicada à Hitchcok e Kurosawa respectivamente nas duas vezes que tive o desprazer de ouvi-las de gente bem próxima à mim e que não questionava quando eu lia um romance grosso de mais de 650 páginas). Se alguém aqui assiste a vídeos em inglês vê o quanto o mercado dos clássicos no exterior é tão forte quanto o nosso de livros havendo, inclusive, edições de luxo e mesmo distribuidoras especializadas em clientes altamente exigentes. Seria legal que vocês pesquisassem AK 100 – Box Set, Zatoichi Box Set e olhassem o canal Criterion. Só por garantia para entender que não estou exagerando no meu próximo ponto.

Como todo bom texto meu há uma polêmica e meu chute para não haver espaço para esse tipo de produção (embora a versátil esteja contradizendo isso em uma escala pequena e longe de ser luxuosa como a criterion) é como as pessoas tratam filmes. Alguém aqui já falou meu box é lindo, meu box importado, comprei verdadeiro, etc?! Chuto que ninguém tenha algum box e se tiver, provavelmente, é de um lançamento Blockbuster. Não sabe o que é blockbuster?! Pesquise, e uma dica não é a velha locadora de filmes que foi comprada pela Lojas Americanas. É um tipo de filmes. Se sabia te dou um pequeno desconto. Acertei?! Pelo menos o seu consumo de filmes é eventual. É isso?! Você acha que filme visto uma vez é filme que não merece ser revisitado? Joga fora e dá espaço para outras coisas que sejam mais importantes que simples DVDs? Mesmo comprando pirata nem se dá o trabalho de dar um estojo com capa pros seus CDS? Outra flecha no alvo? Pois, é. Só posso dizer que lamento. 

Lamento muito, mas você, caro amigo não é cinéfilo. Lamento muito, mas quem faz isso (nem todos fazem, mas uma imensa massa faz, afinal temos tantos camelos de filmes por qual razão?) é muito difícil acreditar que você aprecie cinema ou leve ele minimamente como ele deve ser levado. Por isso, lamento pelos prejudicados (que me leem no momento, também), porém, você é o grande impedimento de um mercado de DVDs mais significativo e maduro emergir aqui e florescer dando frutos aos que se dedicam a árdua e penosa tarefa de colecionar filmes antigos, clássicos, cults e de outras variedades. Porém, não se sinta mal. Na maioria das vezes o preço é abusivo, mas há novas distribuidoras dando um jeito nisso e dando preço mais acessível aos filmes. Contudo, mesmo com toda a produção dada a estes filmes hpa gente que acha que assistir em RMVB é o mesmo que ver widerscreen. Ter tela de tubo ou HDTV não faz diferença na experiência do filme. Ou seja, seria como alguém dizendo que não vê problemas em uma edição com capa amassada, bordas tortas, espaçamento intercalado, palavras espremidas e um livro rasgado. É por aí que você trata um filme.
Não quer dizer que eu sou cego às questões sociais, que muitas pessoas não têm dinheiro para comprar livros, etc. Obviamente estou ciente destas questões, contudo, o filme não é um artigo de luxo tão caro quanto um videogame ou um jogo que as pessoas consomem diariamente, também. Então, guarde suas pedras de militância porque o foco não é o salário mínimo ou o pagamento do trabalhador médio. O foco é o cidadão de classe média que pode pagar por isso e opta por piratear, por roubar uma propriedade intelectual sem remorso, etc.

Há, contudo, o outro lado que já foi citado: o descaso de certas produtoras com os filmes e o público cinéfilo, mas isso vem mudando muito juntamente com o público ledor que aumentou demais nos últimos anos. Ainda assim o problema persiste e ele chega a ser irritante. O importante é notar que existe este mercado e você, colega, que nunca comprou uma mídia verdadeira deveria pensar em fazê-lo caso tenha condições pra isso. Eu sei que você com certeza gasta uma boa parte do seu salário com figures e artigos nerds e games. Que tal investir em filmes? Tem tanta coisa boa! Coleção Sci-Fi, Noir, Cinema Samurai, os filmes do Lobo Solitário, Círculo de Fogo, etc. Duvido que nada apele para você.

Certo? Fizemos toda a limpeza possível? Sim e não. Eu gostaria de falar muito sobre cinema e adaptações, mas isso mercê um post inteiramente dedicado ao assunto para não ser longo e desfocado. Reflitam e mantenham duas distribuidoras de filmes em mente: Lume Filmes e Versátil. Sempre. Ótima qualidade, ótimos títulos. A qualidade vai para a versátil, a seleção fica entre as duas empatadas.

Um comentário

Yatta disse...

Um dos melhores posts sobre o assunto "livro + cinema" que já li, Pedro! Vamo que vamo!

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