Header Ads

Fantasma (Phantasm - 1979, 1988, 1994, 1998, 2016) - Uma Franquia de Terror Atemporal

 abe aquele clássico que você valoriza mais anos após ser feito, e não quando é lançado?

Sabe quando você olha pra um filme e pensa:
“isso aqui não deveria existir desse jeito… mas existe”?

É exatamente isso que eu sinto quando penso na franquia Phantasm… principalmente no Phantasm IV: Oblivion, de 1998.

Porque, vamos ser sinceros…
1998 não parece o ano certo pra um filme de Phantasm existir.
A gente tava vivendo Jurassic Park, Godzilla, American Pie, blockbuster, efeito digital, outro ritmo de cinema…
E de repente surge um filme que parece ter saído direto dos anos 70 ou 80, como se o tempo tivesse simplesmente passado por cima dele.

E aí muita gente olha pra isso e fala:
“ah, esse filme é ruim”,
“ah, esse filme é preguiçoso”,
“ah, esse filme recicla cena antiga”.

Mas o ponto é: Phantasm nunca foi uma franquia normal.

Ela nunca funcionou no tempo certo.
Nunca saiu no intervalo certo.
Nunca se explicou direito.
Nunca tentou agradar todo mundo.

E talvez por isso ela funcione tão bem hoje.

Phantasm é uma franquia “fora do tempo”

Um dos pontos mais importantes é a estranheza temporal da franquia. Phantasm nunca seguiu a lógica industrial comum dos slasher movies dos anos 80:

O primeiro filme é de 1979

Phantasm II só surge 9 anos depois

Os filmes seguintes continuam surgindo com intervalos irregulares

Isso cria um efeito raro: a franquia envelhece junto com seus personagens e com o público. Ao contrário de séries como Friday the 13th ou Halloween, que eram produtos anuais, Phantasm parece existir à margem da indústria, quase como um projeto pessoal e contínuo de Don Coscarelli.

Esse descompasso faz com que Phantasm IV (1998) pareça “errado” à primeira vista. Em um mundo pós-Jurassic Park, American Pie e Godzilla, um filme que soa, parece e se comporta como algo dos anos 70/80 causa estranhamento — e exatamente aí reside sua força.

O primeiro Phantasm já era estranho na época.
Ele não explicava tudo.
Era onírico, confuso, fragmentado.
Parecia mais um pesadelo do que uma história linear.

E conforme os filmes avançam…
eles não ficam mais organizados.
Eles ficam mais quebrados.
Mais melancólicos.
Mais conscientes da própria passagem do tempo.

E aí chega o Oblivion.

Um filme que muita gente rejeita porque reutiliza imagens antigas.
Mas quando você para pra pensar…
isso não é um defeito.
Isso é o próprio tema do filme.

Memória.
Passado que invade o presente.
Fragmentos que não se encaixam perfeitamente.

O personagem lembra, mas lembra errado.
O espectador lembra, mas lembra diferente.

Isso não é um truque barato.
Isso é Phantasm sendo Phantasm.

E no meio disso tudo… tem o Tall Man.
Angus Scrimm.

Cara… poucas figuras do terror envelheceram tão bem quanto ele.
Mesmo quando o filme tropeça,
mesmo quando o orçamento é curto,
mesmo quando a narrativa se perde…

Toda vez que ele aparece em cena, o filme ganha peso.
Ganha presença.
Ganha ameaça.

E tem cenas em Oblivion que, sinceramente, são melhores do que muita coisa de franquia grande por aí.
Aquela sequência quase lovecraftiana, o confronto físico, a sensação de “isso não vai acabar bem”…
Aquilo é horror puro.
Sem pressa.
Sem piadinha.
Sem fórmula.

Angus Scrimm é o coração da franquia.

Assim como Freddy Krueger sustenta A Nightmare on Elm Street, o Tall Man sustenta Phantasm. Independentemente da qualidade de cada filme:

  • Sua presença é sempre ameaçadora
  • Seu carisma é estranho, hipnótico e melancólico
  • Ele carrega um peso quase mítico

Mesmo em Ravager (parte 5, que aqui ficou como "Fantasma: Devastador", em 2016), quando sua saúde já não permitia uma atuação plena, sua presença continua significativa. Revisitar os filmes hoje também é revisitar uma das grandes figuras do horror, construída de forma mais sutil e menos caricata do que muitos vilões da época.

Revisitar Phantasm hoje é perceber que essa franquia não tentou se modernizar à força.
Ela não tentou virar algo que não era.
Ela envelheceu do jeito dela.

E talvez por isso ela converse tanto com a gente agora.
Porque hoje a gente aceita mais o estranho.
Aceita mais o não-linear.
Aceita mais o filme que não mastiga tudo.

Phantasm não é sobre entender tudo.
É sobre sentir desconforto.
É sobre memória falhando.
É sobre envelhecer lutando contra algo que nunca morre.

Então, se você lembra desses filmes como “confusos”,
ou “malucos”,
ou “meio errados”…

Talvez seja exatamente por isso que eles merecem ser revistos hoje.

Porque alguns filmes não envelhecem mal.
Eles simplesmente esperam o tempo certo pra serem entendidos.

E talvez Phantasm nunca tenha sido um filme do ano em que saiu…
mas sim do ano em que você decide voltar pra ele.

Se você já reviu, comenta aí o que você acha.
Se nunca viu, dá uma chance.
E se você odeia… beleza também.

Porque Phantasm nunca foi feito pra agradar todo mundo.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.