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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Tragédia real

(publicado originalmente em Reg Thorpe - Fornit Some Fornus)

Muita gente que me conhece me acha um cara... OK, não vou fazer rodeios: velho demais para a minha idade. Em certos momentos até mesmo eu me sinto assim. Músicas de um tempo que não foi o meu, filmes antigos, Chaves... essas coisas. Você sabe, coisas clássicas (é necessário que eu esclareça nesse momento que não acho que clássico signifique bom).
Mesmo assim, não me surpreendi quando li Shakespeare pela primeira vez e não gostei. Na verdade, nas duas primeiras vezes. Hamlet e Rei Lear definitivamente não fizeram o meu estilo, embora sejam obras conhecidas/cultuadas mundialmente e não sei mais o quê. Toda aquela linguagem poética e exageradamente metafórica não me cativaram.
Devido a tudo isso, não tinha grandes expectativas quando peguei em mãos Édipo Rei (430 a.C.), do grego Sófocles, para ler. Se, historicamente , Hamlet e Rei Lear fazem parte do Renascimento, Édipo Rei faz parte da Grécia Antiga, cerca de dois mil anos antes. Depois de terminar de ler, há pouco, acho que posso dizer que, se eu não adorei, achei bem melhor do que Shakespeare. Digamos que eu "quase gostei".
A ironia disso tudo é o fato de eu não ter me dado muito bem com Shakespeare devido à linguagem da época e ter me adaptado muito melhor a Sófocles, muito mais antigo (devido, talvez, à qualidade da tradução?). A estrutura de Édipo Rei é muito mais fácil de ser compreendida também.
Outra coisa que torna a situação irônica é a questão dos deuses. Os gregos acreditavam na mitologia ao extremo, aquela coisa de destino traçado pelos deuses e coisa e tal. Já os renascentistas valorizavam mais a ação humana. A ironia em eu ter gostado mais de algo "teocêntrico" é o fato de que eu não sou religioso. Acho que isso se deve àquela coisa que disse no post sobre o filme Predador: gosto de coisas fora da realidade justamente para esquecer um pouco a própria realidade.
Uma das características do teatro grego era a unidade de tempo: as histórias ocorriam em um curto período, na maioria das vezes em um único dia. Édipo Rei não é diferente.
O ponto de partida da peça se dá quando Édipo, rei de Tebas, é indagado por parte da população sobre a solução para uma peste que assola a cidade. Ao buscar respostas dos deuses através do oráculo de Delfos, Édipo recebe a "missão" de desvendar e vingar o assassinato do monarca anterior. Ao consultar um segundo oráculo, é acusado de ter participação importante nos eventos que culminaram no crime, além de descobrir que o assassino está destinado a matar o próprio pai e se casar com a própria mãe. No final de tudo (que se dane, lá vem SPOILER), através de uma sucessão de acontecimentos, Édipo se dá conta que, anos antes, ele mesmo assassinara o próprio pai, o rei anterior e casara-se com a própria mãe. De poderoso monarca a vítima do destino em um único dia...
Assim como todas as tragédias gregas, vemos um personagem humano que cometeu um erro passível de punição dos deuses, o que culmina com um desfecho, digamos, infeliz. Édipo termina cego e, possivelmente, vítima do ostracismo, banido.
Apesar de eu ter certo bloqueio com essa coisa de "tendências artísticas" e achar que as obras não precisam ser repetitivas apenas devido ao contexto histórico/social/religioso em que se encontram, acho que posso dizer que Édipo rei superou minhas expectativas.
Talvez eu não seja tão chato, afinal...

domingo, 8 de janeiro de 2012

O Rei Lear e o Playboyzinho Renascentista

(publicado originalmente em Reg Thorpe - Fornit Some Fornus)

Antes de mais nada, acho que já descobri porque não gosto de Shakespeare: o cara era filho de um comerciante rico, provavelmente passou a sua juventude na mordomia, só fazendo o que dava na telha. Em resumo: Shakespeare era um filhinho de papai e só Deus sabe (espero) o quanto eu ODEIO filhinhos de papai. Já até imagino um jovem Shakespeare em uma taverna no sábado à noite, pagando cerveja para todos os amigos e se vangloriando para as garotas, assim como suas tentativas de impressioná-las com sua carruagem tunada. E, perto do balcão do bar, caras como eu só de butuca, olhando (afinal, o que mais podemos fazer?).
Fora o fato de que William já é nome de coisas ligadas à realeza. Eu não teria conseguido engatar uma conversa com Shakespeare. Ele deve ter sido um cara realmente mala.
Mas vamos falar de Lear... Rei Lear.

Meu curso universitário meio que me obrigou a ter contato com a obra do mauricinho renascentista, então, depois de ler o superestimado Hamlet, acabei de ler Rei Lear.
Quando falei de Hamlet, já havia mencionado o fato aquela linguagem poética demais me provocar enxaquecas (OK, estou exagerando) e todo aquele "oh, vida desgraçada" parecer um tanto nhém-nhém-nhém demais. Em Rei Lear, a linguagem é um pouco mais real, mas não muito mais do que isso. O tema principal é, basicamente, a velhice e a prepotência das gerações mais jovens em querer assumir as posses dos mais velhos a qualquer custo. Neste quesito, devo dar mérito ao autor. Essa coisa de filhos de gente rica se importar mais com sua herança do que com os pais é algo que já vem de bastante tempo e os séculos não mudaram. Basta ver o caso de Suzane Von Richthofen.
Tá certo, é bastante provável que os admiradores de Shakespeare que lerem esse texto vão me odiar pelo resto de meus dias, mas digo-vos, ó estudantes de teatro: ao que parece, nas obras dele em que os protagonistas são parte da realeza, muitas batalhas tomam forma depois de conflitos pessoais/familiares entre reis, duques e condes. Ou seja, muitos soldados/plebeus perdem a vida para satisfazer os caprichos de quem realmente "comanda" as coisas nos bastidores. E, ao que parece, por ser justamente de família rica, Shakespeare não via as questões humanas das pessoas de baixo. Em suas obras (OK, em todas as duas que li), os plebeus tratam os patrões como deuses enquanto os nobres tratam o povo como lixo. Isso é absolutamente natural, já que naquela época (e hoje também!) as coisas realmente eram assim, mas tenho a impressão de que o artista achava isso totalmente natural.

Realmente acho que Shakespeare é superestimado.

Quanto ao enredo de Rei Lear, a trama começa quando ele, então Rei da Bretanha, decide dividir seu reino entre suas três filhas, Goneril, Regana e Cordélia. Por um motivo idiota (talvez o velho já estivesse ficando gagá), renega Cordélia, a caçula, por ela não ser tão aduladora quanto as outras duas e deixa o reino apenas para Goneril e Regana. Cordélia se casa com o Rei da França (logo no início já desconfiamos de que, é claro, Lear vai se arrepender no final, suas filhas mais velhas vão tratá-lo como um velho senil e que vai ser obrigado a reconhecer o amor verdadeiro de Cordélia).
Em uma história paralela, o Conde de Gloucester sê vê em uma trama arquitetada pelo seu filho bastardo Edmundo, que o faz se voltar contra seu filho legítimo Edgar. Edmundo faz o pai acreditar que Edgar pretende matá-lo para ficar com a herança.

Entenda bem, a história não é ruim. OK, Hamlet realmente é uma droga, mas como eu disse, em Rei Lear o autor soube passar bem essa questão da relação entre pai, filho e herança. Mesmo assim, não se engane. Assim como em Hamlet, no final de Rei Lear morre todo mundo.

Talvez Shakespeare tenha visto e gostado do filme Os Infiltrados.

sábado, 7 de janeiro de 2012

O Príncipe do Reino do Chilique

(publicado originalmente em Reg Thorpe - Fornit Some Fornus)

Sou um cara que não se impressiona com uma obra artística simplesmente pelo fato dela ser clássica. Gosto de O Poderoso Chefão porque é um excelente livro, não porque é conceituado. Gosto de Chaplin porque é ÓBVIO que ele era um artista muito a frente do seu tempo, não porque é cult.
Também não sou um sujeito muito profundo no que se refere a analisar obras artísticas, mas também há ocasiões em que vejo profundidade onde quase ninguem mais vê. Acho o primeiro Rambo muito mais cabeça do que a maioria das pessoas. Ora, o protagonista é um veterano do Vietnã atormentado, procurando um lugar na sociedade civil, que o odeia. Aquele diálogo final dele com o Coronel Trautman é fantástico ("Ah, o Chevy vermelho...")

Mas estou fugindo do assunto desse post. O que quero dizer é que obras históricas não me deixam arrepiado só porque são históricas. Não gosto de poesia, por exemplo. Acho chato.

Bom, o caso é que o curso universitário que estava fazendo me obrigava a entrar em contato com algumas dessas obras. Hamlet, de Shakespeare foi a primeira.

A peça é conhecida e cultuada no mundo inteiro. Nunca havia lido porque já desconfiava que não fosse gostar, o que realmente aconteceu. Primeiro por causa da linguagem. Aquela poesia toda nos diálogos e metáforas cansam. Imagino se vista como PEÇA, deve ser um terrível.
Com relação a roteiro, também é bem fraquinha, com um final um tanto infantil. Basicamente é o seguinte:
O cenário é o reino da Dinamarca. O Rei Hamlet morreu misteriosamente no jardim do palácio. Seu irmão Claudio assumiu o trono e casou-se com a Rainha Gertrudes, mãe do principe Hamlet. O príncipe, todo chiliquento, por sua vez, não aceita a morte do pai e antigo rei.
Pouco tempo depois do falecimento do antigo monarca, um fantasma ronda os arredores do castelo, sendo primeiramente avistado por alguns guardas e amigos do principe. Como a aparência do fantasma é idêntica ao do falecido rei, Hamlet filho é comunicado pela guarda. Na noite seguinte, monta vigilia com os amigos e se encontra com o tal fantasma, que revela ser o espírito do rei, em busca de vingança por sua morte. Diz a Hamlet que foi assassinado pelo próprio irmão, Claudio.
O principe, incorfomado (e ainda duvidoso quanto à veracidade do fantasma), monta uma armadilha: faz com que um grupo teatral itinerante encene uma tragédia na qual o irmão de um rei mata o monarca e se casa com a rainha. Ao assistir a peça, o Rei Claudio é afetado. De qualquer forma, Hamlet passa a ser visto como louco por todos, já que parece entrar em uma depressão profunda. Ninguém sabe a razão disso. Fala-se que o jovem talvez esteja sofrendo de amor por Ofélia, filha do camarista real Polônio.
Hamlet é enviado pelo rei à Inglaterra (um exilio disfarçado), mas retorna escondido. Em um encontro com a mãe, mata Polônio acidentalmente. O fato faz com que Laertes, filho de Polônio se volte contra o rei, que o manipula a ponto de conspirar contra o principe.
Depois de muito lenga-lenga, a conspiração dá errado, porque no final da peça morre Hamlet, o rei, a rainha e Laertes. O reino acaba ficando para Fortinbrás, principe da Noruega e antigo rival do Rei Hamlet.

Muita tragédia, muita poesia, tra-lá-lá. Embora seja dito o contrário, Hamlet é uma história comum, nada mais.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

OS PERTURBADOS ao vivo no CEU Meninos

Grupo OS PERTURBADOS se apresentando no CEU Meninos, este domingo, dia 14 de Agosto! Não percam!


O grupo OS PERTURBADOS estará  apresentando a peça "A Criação do Mundo", com esquetes cômicas inteligentes, com muita energia! NÃO PERCAM!

YATTA!

bye-Q!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

MALU RODRIGUES



A atriz Malu Rodrigues, de 16 anos, fez um ensaio bastante sensual para a revista VIP, da qual será capa de maio.

Embora seja menor de idade, a garota conquistou a emancipação dos pais para aparecer nua no musical O Despertar da Primavera, e aproveitou para mostrar suas curvas na publicação.

A peça foi febre no Rio de Janeiro e tem atraído grande público em São Paulo. “Dizem que os paulistanos são mais frios, mas eu tive uma recepção supercalorosa”, disse a jovem durante o ensaio fotográfico.

Vale a pena conferir a peça musical! Está em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, na Rua Rui Barbosa, No 153, Bela Vista - SP.