Com humor satírico, visual Y2K e mecânicas Roguelike e Deck Builder, game indie transforma a rotina de escritório em uma disputa pela sobrevivência profissional.
O fim dos anos 90 chegou, e você é um jovem adulto tentando sobreviver a essa nova fase brutal da vida (e provavelmente ao bug do milênio).
Conseguiu seu primeiro emprego formal e, em uma segunda-feira qualquer, chega ao escritório, que mais parece um labirinto de cadeiras; senta à mesa, liga seu super ultra moderno computador com processador Pentium e monitor de plasma e dá de cara com 50 e-mails pendentes da semana anterior, demandas urgentíssimas daquele colega braço curto que não podem ser adiadas de forma alguma, e convites para reuniões presenciais importantíssimas com seu supervisor.
É o momento de colocar em prática sua bagagem de resiliência nível 99 e habilidades de sarcasmo para contornar e escapar das armadilhas do ambiente empresarial.
Essa é a premissa de Reply All, jogo independente desenvolvido pela Peculiar Path.
Ambientado em um escritório, o título transforma a comunicação corporativa em um sistema de combate por turnos, no qual e-mails e respostas passivo-agressivas são suas principais armas.
Entre referências aos anos 90 e 2000, segredos empresariais e atividades de integração promovidas pelo RH, o objetivo é descobrir o que realmente acontece nos bastidores da Weevil, uma corporação aparentemente disposta a tudo. Salvar o mundo pode ser uma possibilidade, mas não ser demitido já é uma grande vitória.
Um visual longe do convencional
Sob a direção de arte do ilustrador e desenvolvedor Denny Borges, o jogo aposta em ilustrações de traços livres e expressivos, preenchidas por uma paleta de cores pastel pouco convencional. Os elementos visuais recebem animações sutis e pequenas interações, criando uma apresentação que remete às ilustrações editoriais de revistas adolescentes de meados dos anos 2000.
Aliás, a estética Y2K também ocupa um lugar importante no visual do game. Para quem cresceu utilizando computadores da época, as grandes molduras azuladas e janelas em tons de marrom-claro podem despertar uma boa dose de memória afetiva ajudando a estabelecer a personalidade do game e reforçar sua ambientação.
Responder a todos nunca foi tão perigoso
No quesito gameplay, o jogo se apresenta de forma bem acessível. Na demonstração disponibilizada durante a Brasil Game Show 2026, a Peculiar Path não fez rodeios: colocou o jogador diretamente em contato com o gameplay core.
A interface simula uma janela de e-mail, apresentando o remetente (ou inimigo da batalha, como preferir), o título da mensagem, os indicadores de status, como pontos de vida, ação, e os espaços destinados à elaboração da resposta (tabuleiro).
O jogador precisa preencher diferentes blocos da mensagem, como a saudação, o corpo do e-mail e a assinatura ou despedida, utilizando as cartas disponíveis em sua mão.
Cada carta contribui para a construção da mensagem, permitindo combinar diferentes elementos e produzir respostas capazes de contornar os problemas apresentados pelos colegas de trabalho.
Uma experiência curiosa, mas sem grandes pretensões
Reply All encontra seu principal diferencial na combinação entre humor corporativo, construção de baralho e uma identidade visual fortemente associada aos anos 2000.
É uma proposta inusitada, que transforma situações reconhecíveis do cotidiano profissional em confrontos estratégicos e encontra na sátira boa parte de sua personalidade.
Por outro lado, sua apresentação acessível e a estrutura relativamente simples não necessariamente fazem dele um título capaz de sustentar o interesse por muito tempo.
Ainda assim, o game tem um espaço próprio entre os jogos indie que apostam em conceitos exóticos. Pode não ser o título que fará alguém tentar “platinar” ou explorar todas as possibilidades, mas oferece uma experiência descontraída para quem procura algo diferente.


