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quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Senna (Netflix) - A Premiere

 Em meio à muitos lançamentos, a Netflix traz um grande acerto com minissérie em homenagem à Ayrton Senna, com premiere global ocorrendo no auditório do Ibirapuera. O local fica ao lado da avenida Ayrton Senna, inclusive.


O elenco principal esteve presente, assim como a irmã de Ayrton, Viviane Senna, e parte da equipe da Gullane Filmes, e até mesmo a CCO da Netflix veio pessoalmente ao Brasil para participar da cerimônia.

Houve um coquetel com jogatina de simulador de corrida, e as roupas utilizadas na série estavam em exposição, assim como o pequeno Kart utilizado nas cenas de infância de Ayrton Senna na série.


A Netflix caprichou bastante na cerimônia, com direito ao ator que faz o Galvão Bueno sendo o mestre de cerimônias da noite, para apresentar o protagonista Gabriel Leone, que por sua vez, fez um breve discurso de introdução e agradecimentos, antes de ser exibido no telão os dois primeiros episódios (de 6 ao total, que estarão disponíveis a partir do dia 29, sexta feira).

Os primeiros episódios empolgam e emocionam, mostrando bem algumas das frustrações, escolhas e personalidade nos bastidores deste herói nacional que se tornou uma lenda, e até os dias atuais, continua sendo um ícone de coragem e perseverança.


sábado, 28 de setembro de 2019

Você Radical (Netflix) - Crítica + Caminhos possíveis


Você Radical é mais uma interatividade da Netflix. A série apresentada por Bear Grylls, de À Prova de Tudo, do Discovery Channel, nos deixa escolher duas opções a cada etapa da aventura. O montanhista repete seus feitos vistos em seus programas de sobrevivência, só que agora nós decidimos seus rumos.

Curiosidade: À Prova de Tudo se chama Man vs Wild no original. Já Você Radical no original se chama You vs Wild.

A ideia de interagir com o público deixando nós escolhermos os ocorridos obviamente é pura ilusão, mas oferece uma experiência válida demais. No entretenimento, é tudo o que importa. Isso leva a prós e contras.

De positivo, nos sentimos juntos com o apresentador, como se fôssemos o câmera. Também podemos nos colocar no lugar de Bear Grylls e seguir caminhos que em nossas mentes poderão ser a melhor opção caso um dia tenhamos que passar pelo mesmo. Ou... Podemos aproveitar para tentar ferrar o aventureiro escolhendo as piores opções possíveis (haha). Ele inclusive ironiza isso nos momentos em que precisa se alimentar.

De negativo, a noção de perigo é variável. Fica visível em diversos momentos que tudo aquilo (ou quase tudo) é planejado, seja por coincidências duvidosas, seja por jogadas de câmeras muito bem preparadas, seja por escolhas obviamente ruins que trariam um desnecessário perigo real para a vida do apresentador, seja pelo fato da série te dar opções em momentos muito improváveis de acontecer novamente do mesmo jeito (ora, estamos falando da natureza, onde muito é imprevisível). Claro que as séries de sobrevivência também possuem seus esquemas, mas nessa fica muito mais visível e não há como não ficar. Claro também que isso não tira o realismo, já que, mesmo pré-calculado, muita coisa pode acontecer e sair do planejado, como também deixa a entender em alguns momentos. É o Bear vivendo aquilo, e não tem como controlar totalmente a natureza. Então sim, tudo aquilo é real, mesmo que manipulado.

De qualquer forma, Você Radical é uma boa pedida para quem gosta de programas de sobrevivência e quer se divertir. Dá pra aprender muito aqui. Embora alguns caminhos levem a outros repetidos e algumas opções sejam indiferentes para a seguinte, cada escolha é única e tem seus próprios momentos. Quando bem escolhido, pode render caminhos inéditos a serem explorados.

CAMINHOS - ÁREA DOS SPOILERS

A seguir listo todos os caminhos que encontrei ao longo dos episódios. Não encontrei na internet, então decidi fazer eu mesmo. O ideal é você mesmo trilhar sua aventura, mas essa lista pode servir de guia para explorar novos rumos. Caso encontre algum erro ou ausência, avise-me nos comentários. Lembre-se do que escrevi no último parágrafo da resenha acima.


  • Episódio 1 - Operação resgate na selva - parte 1



  1. Gancho - Usar facão - Ginchos de macacos - Sem caminho
  2. Gancho - Usar facão - Subir na árvore - Atravessar no tronco - Fim do episódio
  3. Gancho - Usar facão - Subir na árvore - Usar cipó - Fim do episódio
  4. Gancho - Seguir o rio - Esgueirar-se - Contra a corrente - Sem caminho
  5. Gancho - Seguir o rio - Esgueirar-se - Pela costa - Ginchos de macacos - Sem caminho
  6. Gancho - Seguir o rio - Esgueirar-se - Pela costa - Subir na árvore - Atravessar no tronco - Fim do episódio
  7. Gancho - Seguir o rio - Esgueirar-se - Pela costa - Subir na árvore - Usar cipó - Fim do episódio
  8. Gancho - Seguir o rio - Assustar - Cupins / Larva - Atravessar no tronco - Fim do episódio
  9. Estilingue - Usar facão - Ginchos de macacos - Fim do episódio
  10. Estilingue - Seguir o rio - Cupins/Larva - Atravessar no tronco - Sem caminho
  11. Estilingue - Seguir o rio - Cupins/Larva - Usar cipó - Fim do episódio



  • Episódio 2 - Operação resgate na selva - parte 2



  1. Corda - Capim - Lama/Galhos - Caverna - Corda - Fim do episódio
  2. Corda - Capim - Lama/Galhos - Caverna - Rocha - Sem caminho
  3. Corda - Capim - Lama/Galhos - Árvore - Sem caminho
  4. Corda - Manguezal - Sem caminho
  5. Fazer rapel - Ovas de rã - Caverna/Árvore - Sem caminho
  6. Fazer rapel - Pesca com lança - Caverna - Corda - Fim do episódio
  7. Fazer rapel - Pesca com lança - Caverna - Rocha - Sem caminho
  8. Fazer rapel - Pesca com lança - Árvore - Sem caminho



  • Episódio 3 - Em busca de um são-bernardo



  1. Esquiar - Fazer rapel - Especulativamente - Caverna de gelo/Árvore - Fazer rapel - Fim do episódio
  2. Esquiar - Fazer rapel - Especulativamente - Caverna de gelo/Árvore - Deslizar - Sem caminho
  3. Esquiar - Fazer rapel - Sistematicamente - Fezes de urso/Procurar comida - Caverna de gelo/Árvore - Fazer rapel - Fim do episódio
  4. Esquiar - Fazer rapel - Sistematicamente - Fezes de urso/Procurar comida - Caverna de gelo/Árvore - Deslizar - Sem caminho
  5. Esquiar - Atravessar - Rastejar - Especulativamente - Caverna de gelo/Árvore - Fazer rapel - Fim do episódio
  6. Esquiar - Atravessar - Rastejar - Especulativamente - Caverna de gelo/Árvore - Deslizar - Sem caminho
  7. Esquiar - Atravessar - Rastejar - Sistematicamente - Fezes de urso/Procurar comida - Caverna de gelo/Árvore - Fazer rapel - Fim do episódio
  8. Esquiar - Atravessar - Rastejar - Sistematicamente - Fezes de urso/Procurar comida - Caverna de gelo/Árvore - Deslizar - Sem caminho
  9. Esquiar - Atravessar - Caminhar - Sem caminho
  10. Parapente - Rastejar - Especulativamente - Caverna de gelo/Árvore - Fazer rapel - Fim do episódio
  11. Parapente - Rastejar - Especulativamente - Caverna de gelo/Árvore - Deslizar - Sem caminho
  12. Parapente - Rastejar - Sistematicamente - Fezes de urso/Procurar comida - Caverna de gelo/Árvore - Fazer rapel - Fim do episódio
  13. Parapente - Rastejar - Sistematicamente - Fezes de urso/Procurar comida - Caverna de gelo/Árvore - Deslizar - Sem caminho
  14. Parapente - Caminhar - Sem caminho



  • Episódio 4 - Perdido na montanha de neve



  1. Estática - Abrigo na rocha/Iglu - Pesca no gelo/Armadilha - SOS - Sem caminho
  2. Estática - Abrigo na rocha/Iglu - Pesca no gelo/Armadilha - Fogueira - Fim do episódio
  3. Dinâmica - Escalar árvore/Pistas da natureza - Cogumelos - Pesca no gelo/Armadilha - Sem caminho
  4. Dinâmica - Escalar árvore/Pistas da natureza - Brotos - Pesca no gelo/Armadilha - Garrafa/Pedra afiada - Fim do episódio



  • Episódio 5 - Uma aventura venenosa - parte 1



  1. Helicóptero - Fazer rapel - Cânion estreito - Destroços - Palitos-de-fogo - Sem caminho
  2. Helicóptero - Fazer rapel - Cânion estreito - Destroços - Cacto barril - Fim do episódio
  3. Helicóptero - Fazer rapel - Cânion estreito - Seguir rastros - Fim do episódio
  4. Helicóptero - Fazer rapel - Pedras - Sem caminho
  5. Helicóptero - Descer - Sem caminho
  6. Avião - Atravessar - Destroços - Palitos-de-fogo - Sem caminho
  7. Avião - Atravessar - Destroços - Cacto barril - Fim do episódio
  8. Avião - Atravessar - Seguir rastros - Fim do episódio
  9. Avião - Descer - Esquerda - Sem caminho
  10. Avião - Descer - Direita - Palitos-de-fogo - Sem caminho
  11. Avião - Descer - Direita - Cacto barril - Fim do episódio



  • Episódio 6 - Uma aventura venenosa - parte 2



  1. Oásis - Sombra - Caçar/Atrair - Cabeça - Fim do episódio
  2. Oásis - Sombra - Caçar/Atrair - Cauda - Sem caminho
  3. Oásis - Cidade - Pilha de sucata - Sem caminho
  4. Oásis - Cidade - Tanque - Cabeça - Fim do episódio
  5. Oásis - Cidade - Tanque - Cauda - Sem caminho
  6. Mina - Túnel de água - Desenterrar - Sem caminho
  7. Mina - Túnel de água - Jogar água - Caçar/Atrair - Cabeça - Fim do episódio
  8. Mina - Túnel de água - Jogar água - Caçar/Atrair - Cauda - Sem caminho
  9. Mina - Túnel de teia - Cabeça - Fim do episódio
  10. Mina - Túnel de teia - Cauda - Sem caminho



  • Episódio 7 - Terra dos dragões



  1. Subir penhasco - Ovos crus - Sem caminho
  2. Subir penhasco - Flores de Tojo - Lutar - Sem caminho
  3. Subir penhasco - Flores de Tojo - Flutuar - Caverna - Sair da caverna - Pular/Fazer rapel - Lutar - Fim do episódio
  4. Subir penhasco - Flores de Tojo - Flutuar - Caverna - Sair da caverna - Pular/Fazer rapel - Fugir - Sem caminho
  5. Subir penhasco - Flores de Tojo - Flutuar - Caverna - Seguir rastros - Sem caminho
  6. Subir penhasco - Flores de Tojo - Flutuar - Floresta - Pular/Fazer rapel - Lutar - Fim do episódio
  7. Subir penhasco - Flores de Tojo - Flutuar - Floresta - Pular/Fazer rapel - Fugir - Sem caminho
  8. Margear - Mariscos - Sem caminho
  9. Margear - Algas - Lutar - Sem caminho
  10. Margear - Algas - Flutuar - Caverna - Sair da caverna - Pular/Fazer rapel - Lutar - Fim do episódio
  11. Margear - Algas - Flutuar - Caverna - Sair da caverna - Pular/Fazer rapel - Fugir - Sem caminho
  12. Margear - Algas - Flutuar - Caverna - Seguir rastros - Sem caminho
  13. Margear - Algas - Flutuar - Floresta - Pular/Fazer rapel - Lutar - Fim do episódio
  14. Margear - Algas - Flutuar - Floresta - Pular/Fazer rapel - Fugir - Sem caminho



  • Episódio 8 - Mito da caverna abandonada



  1. Mortal pra frente/Mortal pra trás - Prosseguir - Atrair ovelha/Perseguir ovelha - Minhocas/Pinheiro - Cabo aéreo - Fim do episódio
  2. Mortal pra frente/Mortal pra trás - Prosseguir - Atrair ovelha/Perseguir ovelha - Minhocas/Pinheiro - Fazer rapel - Sem caminho
  3. Mortal pra frente/Mortal pra trás - Fazer fogueira - Subir pela corrente - Minhocas/Pinheiro - Cabo aéreo - Fim do episódio
  4. Mortal pra frente/Mortal pra trás - Fazer fogueira - Subir pela corrente - Minhocas/Pinheiro - Fazer rapel - Sem caminho
  5. Mortal pra frente/Mortal pra trás - Fazer fogueira - Entrar na mina - Roupa - Sem caminho
  6. Mortal pra frente/Mortal pra trás - Fazer fogueira - Entrar na mina - Bétula - Sem corrente de ar - Sem caminho
  7. Mortal pra frente/Mortal pra trás - Fazer fogueira - Entrar na mina - Bétula - Com corrente de ar - Fazer rapel - Subir a escada/Explodir porta - Fim do episódio
  8. Mortal pra frente/Mortal pra trás - Fazer fogueira - Entrar na mina - Bétula - Com corrente de ar - Subir pela corrente - Minhocas/Pinheiro - Cabo aéreo - Fim do episódio
  9. Mortal pra frente/Mortal pra trás - Fazer fogueira - Entrar na mina - Bétula - Com corrente de ar - Subir pela corrente - Minhocas/Pinheiro - Fazer rapel - Sem caminho


Será que teremos uma segunda temporada?

domingo, 13 de janeiro de 2019

[CRÍTICA] Trilogia animada Godzilla - Um infeliz teste de paciência para a franquia


A parceria Toho, Polygon e Netflix rendeu numa trilogia animada do rei dos monstros Godzilla, lançados originalmente entre 2017 e 2018 no Japão, e entre 2018 e 2019 internacionalmente. Será que prestou? Infelizmente não.

Toda a trilogia é muito fraca, sendo facilmente três dos piores filmes do rei dos monstros. Ignorei a animação nada atraente vista nos trailers, mas os filmes não colaboraram. Deveriam ter parado no primeiro, porque piora a cada filme. Se o primeiro é aceitável, apesar de tudo, e o segundo dá pra deixar passar apenas como um filme ruim, o terceiro leva aos limites da paciência.

Para uma franquia Godzilla, faltou mais... Godzilla. A história é boa, mas enrolam excessivamente, como se quisessem forçar três filmes (tipo O Hobbit). É um falso desenvolvimento contínuo na maior parte do tempo. Até os ganchos acabam se tornando enrolados. Além, dificilmente guardam surpresas, revelando tudo o que poderia servir como plot twist no futuro (há, mas tinha potencial para mais). Para piorar, há alguns anti-clímax bastante incômodos. Também ficam devendo bastante na ação. Isso quando tem.

O primeiro filme, "Planeta dos Monstros", foi o que mais "gostei" e que foge de boa parte (não tudo) do que critiquei em geral. A trama conta a história do retorno da humanidade, refugiada no espaço devido aos ataques do Godzilla, à Terra após décadas. Ao chegarem, percebem que milhares de anos se passaram por lá e que o Godzilla ainda estava vivo. Apesar de sentir que estenderam a trama, apesar de ser raso para um filme de introdução, possui uma história central aceitável. Temos a apresentação dos personagens principais, humanos e alienígenas, e vemos as falhas tentativas de deter o Godzilla. Ainda assim, não é bom o suficiente para uma "parte 1". Apenas no gancho para o próximo filme é que surge o interesse em continuar.

O segundo filme, "Cidade no Limiar da Batalha", é um grande semi-filler. Adentram num arco que, a princípio, parece promissor, mas ficam na mesma e ao fim as coisas soam como tempo perdido. Após revelado que o verdadeiro Godzilla havia acordado, o filme se foca na apresentação dos descendentes dos humanos e na redescoberta dos restos do Mechagodzilla, que virou uma... cidade. Pois é. O filme até tenta desenvolver as divisões do grupo humano, e de certa forma consegue, mas ao fim tudo parece vago. Claro que o impacto da trama é muito mais válida que do primeiro filme, mas ainda assim deixa a desejar mais do que seu antecessor.

O terceiro filme, "O Devorador de Planetas", chega ao fundo do poço. Uma prova de que tem sim como algo ruim piorar. Se antes ainda dava para "aceitar" (bem entre aspas mesmo), agora não mais. O longa soa como se não tivessem mais história para contar, restando apenas o grande final. Pois bem. Depois de tudo o que aconteceu, a franquia finalmente apresenta o primeiro perigo real para o Godzilla: o "deus" Ghidorah. Aqui ele não é apenas o monstro visto nos filmes clássicos, mas sim uma criatura divina. Mas quem espera uma luta entre os dois, vai se decepcionar tanto a ponto de querer xingar os responsáveis por esse filme. Repleto de muita filosofia barata repetida incansavelmente, o longa prossegue até o fim enrolando ao extremo seus acontecimentos e de brinde ainda insere o maior anti-clímax que a franquia Godzilla já presenciou.

Uma pena tanto desperdício de potencial.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

[CRÍTICA] Black Mirror: Bandersnatch


"Em 1984, um jovem programador começa a adaptar um romance fantástico para videogame e põe em questão a própria realidade. Uma história alucinante com múltiplos finais." [Neflix]

'Bandersnatch', considerado o primeiro filme de Black Mirror, é interessante, "diferente", divertido, mas nada inovador como tem gente pensando ser. Filmes (ou semelhantes) interativos não são raros. A própria Netflix já lançou outros antes desse, como Gato de Botas e Minecraft. Mas enfim.

"Um sucinto tutorial, específico ao tipo de dispositivo de reprodução, explica ao espectador a como tomar decisões. É ofertado um tempo de dez segundos para decidir o que há de ser feito, ou uma decisão randômica é sobreposta. Ao final da jogatina, o espectador tem a opção de retroceder e mudar o que foi escolhido. A exibição tem, em média, 90 minutos, mas caso o caminho escolhido seja menor, tem duração de 40 minutos. No total, são 150 minutos de episódio divididos em 250 segmentos." [Wikipédia]

Apesar de tentador, a ideia de decidir o destino da trama esconde 'problemas'. O filme dá uma ilusão de escolhas e ironiza a si mesmo ao oferecer tantas opções e caminhos. Uma ótima sacada, aproveitando a própria ideia a seu favor. Curiosamente, percebi que muita gente não entendeu essa questão. Pensei que tivesse ficado bem claro. Em alguns caminhos deixam explícito, com direito a quebra da quarta parede. Tem até citação direta a Netflix.

Entretanto, as poucas e reais mudanças acabam limitando o longa. Ora, são apenas 5 finais (com direito a um pós-créditos quase secreto [pesquisem sobre e irão parar num site de jogos]). Em poucas horas dá pra ver todos os finais e todas as opções. Porém, reforçando o que foi dito anteriormente, a impressão que dá é que esse limite foi proposital. Ou não? Estamos mesmo controlando o produto da Netflix ou o produto é que está nos controlando?

"O termo "bandersnatch" é originário de uma criatura fictícia do romancista Lewis Carroll, que aparece nos poemas "Jabberwocky" e "The Hunting of the Snark", ambos de 1870. A empresa Imagine Software havia planos de criar um jogo com o mesmo termo. Apesar dos inúmeros projetos trabalhados pela organização, o jogo Bandersnatch nunca foi lançado devido à falência da empresa, em 1984. O videogame era tido como um easter egg do terceiro episódio da série, Playtest. Adicionalmente, a história contém elementos dos trabalhos do escritor norte-americano Philip K. Dick, cujo romance, Ubik, é visualmente referenciado no filme. Ademais, Bandersnatch contém elementos de terror, ficção científica e uma ambientação da década de 1980." [Wikipédia]

O 'especial' de Black Mirror não é de 'explodir a mente' igual parte dos episódios da série costumam fazer, mas cumpre muito bem sua função. Em questão de roteiro deixa até a desejar de tão simples que é. Ainda assim tem vários momentos interessantes, como as cenas do protagonista indagando estar sendo controlado, tentando resistir, etc. Muito bom. Por isso o que mais conta nisso tudo é a experiência. Muda a percepção do produto.

Devo destacar o cuidado com alguns detalhes. Embora os finais não possam ser mudados, dependendo das suas ações, ao voltar para o passado para escolher outras ações, o protagonista pode ter uma espécie de deja vu, como se já tivesse vivido aquilo. Achei válido. Tudo faz sentido na perspectiva da história. Bandersnatch é uma interatividade curta, mas funcional. Vale a curiosidade. Soube de cenas secretas, mas até o momento não vi ninguém descobrindo. Para mim já deu. Esperarei as revelações por terceiros caso sejam reais.

sábado, 3 de novembro de 2018

Os filmes de Godzilla e King Kong e os futuros universos compartilhados

Confira também:
Godzilla - Surpresas japonesas, indignações americanas e respostas para dúvidas frequentes sobre a franquia
Godzilla - Buscando a média de franquias de filmes #1


Quando se fala de monstros gigantes, dezenas de criaturas podem passar pela mente (só os japoneses da Toho já são vários). Entretanto, para o cinema internacional, King Kong e Godzilla costumam ser os nomes mais famosos para a categoria. Não é a toa que Godzilla é chamado de "Rei dos Monstros" e que King Kong tem king (rei em inglês) no nome. Até hoje ambos já inspiraram muita coisa na cultura pop. Aliás, o King Kong foi uma das inspirações para o Godzilla.

Numa atualidade onde a internet move o mundo, chega a ser estranho como as pessoas sequer sabem da existência dos filmes antigos dos personagens citados. Não creio ser falta de interesse em alguns casos, visto que há pessoas que gostam dos filmes atuais, mas que não sabem dos antigos. Pensando nisso, decidi trazer listas com os filmes lançados das franquias King Kong e Godzilla e o atual Monstroverso que está se formando no cinema.

Godzilla


Filmes de origem: Japão.

Godzila (ou Gojira) é talvez o monstro gigante mais famoso da cultura pop nas últimas décadas. Dirigido por Ishiro Honda, seu primeiro filme foi lançado em 1954 pela Toho, que possui inúmeros outras criaturas em seu domínio. Originalmente, Godzilla criticava o armamento nuclear e suas consequências, refletindo não só a política japonesa como também a situação mundial uma década após o fim da Segunda Guerra. Com o tempo, o personagem foi ganhando um universo próprio.

O primeiro período foi conhecido como Showa. Foi uma época de filmes mais descontraídos, voltados para o humor, com um clima bem diferente do primeiro longa. Além dos kaiju surgidos na franquia, outros de outros filmes chegaram a adentrar esse universo (e foi tão marcante que muitos sequer sabem que alguns dos monstros vieram de outros filmes). Fizeram parte desse período os filmes:


  • Godzilla (1954)
  • Godzilla Raids Again (1955)
  • King Kong vs. Godzilla (1962)
  • Mothra vs. Godzilla (1964)
  • Ghidorah, the Three-Headed Monster (1964)
  • Invasion of Astro-Monster (1965)
  • Ebirah, Horror of the Deep (1966)
  • Son of Godzilla (1967)
  • Destroy All Monsters (1968)
  • All Monsters Attack (1969)
  • Godzilla vs. Hedorah (1971)
  • Godzilla vs. Gigan (1972)
  • Godzilla vs. Megalon (1973)
  • Godzilla vs. Mechagodzilla (1974)
  • Terror of Mechagodzilla (1975)


O segundo período foi conhecido como Heisei. Ignorando todas as continuações, essa era decidiu prosseguir a partir do filme original. Foi o período que trouxe um clima mais sério para a franquia e uma ligação maior entre os longas, com uma melhor cronologia. Fizeram parte desse período os filmes:


  • The Return of Godzilla (1984)
  • Godzilla vs. Biollante (1989)
  • Godzilla vs. King Ghidorah (1991)
  • Godzilla vs. Mothra (1992)
  • Godzilla vs. Mechagodzilla II (1993)
  • Godzilla vs. SpaceGodzilla (1994)
  • Godzilla vs. Destoroyah (1995)


O terceiro período foi conhecido como Millennium. Novamente ignorando todas as continuações e considerando apenas o filme original, nessa época decidiram criar uma espécie de antologia para a franquia. Cada longa era próprio, sem ligações um com o outro, com exceção dos últimos. O fim do período marcou os 50 anos da franquia. Fizeram parte desse período os filmes:


  • Godzilla 2000: Millennium (1999)
  • Godzilla vs. Megaguirus (2000)
  • Godzilla, Mothra and King Ghidorah: Giant Monsters All-Out Attack (2001)
  • Godzilla Against Mechagodzilla (2002)
  • Godzilla: Tokyo S.O.S. (2003)
  • Godzilla: Final Wars (2004)


Após anos sem Godzilla, adentramos ao quarto e atual período, mas dessa vez num reboot total, desconsiderando até mesmo o filme original, recomeçando tudo do zero. Apenas um filme com atores foi lançado para era Post-Millennium até o momento, sem previsão de continuação. Posteriormente, uma parceria entre Toho, Polygon Pictures e Netflix gerou uma trilogia animada. Fazem parte dessa nova era os filmes:


  • Shin Godzilla (2016)
  • GODZILLA: Planet of the Monsters (2017)
  • GODZILLA: City on the Edge of Battle (2018)
  • GODZILLA: The Planet Eater (2018)


Para o mercado estadunidense, o primeiro Godzilla foi lançado reeditado em 1956. Apenas na época da era Millennium japonesa é que o primeiro filme americano da franquia foi realmente lançado.

Pela TrisTar Pictures, foi lançado:


  • Godzilla (1998)


Após anos, a Legendary Pictures decidiu recomeçar a franquia para iniciar seu Monsterverse. Fazem parte:


  • Godzilla (2014)
  • Godzilla: King of the Monsters (2019)
  • Godzilla vs. Kong (2020)


A Toho atualmente se prepara para co-produzir com o mercado hollywoodiano e com as empresas chineses que possuem direitos licenciados de suas marcas. O produtor Keiji Ota evelou que, após 2021, pretende iniciar um universo compartilhado do Godzilla e de outros monstros da empresa, igual a Marvel e a DC fazem.

King Kong


Filmes de origem: Estados Unidos.

Não há muito segredo. Pensado como um filme de terror com gorilas, surgiu um gorila gigante. Dirigido por Merian C. Cooper, King Kong foi lançado em 1933 e mudou a história do cinema.

O curioso é que a Toho se envolveu na franquia nos anos 60, querendo fazer sua própria versão para a franquia do Godzilla. Após dois filmes, entretanto, sem os direitos do personagem, tiveram que se contentar em não utilizar mais o personagem.

Pela RKO Radio Pictures, foram lançados:


  • King Kong (1933)
  • Son of Kong (1933)


Pela Toho, foram lançados:


  • King Kong vs. Godzilla (1962)
  • King Kong Escapes (1967)


Buscando um reboot, pela Paramount Pictures foram lançados:


  • King Kong (1976)
  • King Kong Lives (1986)


Com novamente um novo reboot, pela Universal Pictures foi lançado:


  • King Kong (2005)


E mais uma vez com mais um novo reboot, a Legendary Pictures prosseguiu o Monsterverse. Fazem parte:


  • Kong: Sull Island (2017)
  • Godzilla vs. Kong (2020)


Monsterverse


A Legendary Entertainment, junto com a Warner Bros., atualmente está criando o Monsterverse, um universo compartilhado Godzilla-Kong. Os longas estão sendo pensados para fazer os dois monstros se enfrentarem num filme próprio. Fazem parte da franquia os filmes:


  • Godzilla (2014)
  • Kong: Skull Island (2017)
  • Godzilla: King of the Monsters (2019)
  • Godzilla vs. Kong (2020)


Não se sabe até onde o Monsterverse irá. Isso restringe o futuro de King Kong. Quanto ao seu rival Godzila, como dito anteriormente, há planos para um universo compartilhado da Toho.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

[NOTICIA] Netflix - Investimento em filmes de grandes diretores e continuações de Death Note e Bright a caminho!


Uma matéria no The Hollywood Reporter analisou a situação da Netflix sobre suas obras originais, prêmios, críticas, etc, buscando entender também as mudanças da empresa, os investimentos e os próximos lançamentos. A matéria completa pode ser lida aqui.

Muitos longas estão por vir, sendo alguns grandes apostas e outros oportunidades vistas com base no público. Alguns filmes inclusive participarão de festivais.

Na primeira leva de grandes apostas estão filmes como Roma, de Alfonso Cuarón; 22 de Julho, de Paul Greengrass; e A Balada de Buster Scruggs, de Ethan e Joel Coen; assim como a finalização da versão inacabada de O Outro Lado do Vento, de Orson Welles. Há também um alto investimento em Six Underground, de Michael Bay.

Devido ao sucesso de público, mesmo com as baixas críticas, Death Note 2 e Bright 2 também foram encomendados.

Dos filmes previstos para 2018, mas ainda sem data exata, há alguns notórios, como Private Life, de Tamara Jenkins; Hold the Dark, de Jeremy Saulnier; The Kindergarten Teacher, de Sara Colangelo; The Land of Steady Habits, de Nicole Holofcener; Christmas Chronicles, de Chris Columbus; e Bird Box, de Susanne Bier.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

[CRÍTICA] Tokyo Idols - O lado negro da cultura idol e a idolatria dos mais velhos pelas novinhas


A polêmica da cultura japonesa ainda tem muito o que render. Disponível na Netflix, Tokyo Idols é um documentário que explora o fenômeno da cultura idol ("ídolo" em inglês) japonesa, mais especificamente no j-pop (pop japonês), se focando num ponto inusitado: O sucesso de cantoras de aparência juvenil (ou literalmente crianças/adolescentes) entre homens de meia idade.

O premiado documentário dirigido pela Kyoko Miyake acompanha a idol Rio Hiiragi, de 19 anos, ao longo de seu cotidiano. A acompanhamos durante seus concertos, eventos, encontros com fãs, streams, momentos de fazer presentes para os fãs, etc. Vemos como esse universo funciona. Lembrando que ela não é, pelo menos durante esse momento, uma personalidade tão famosa assim. Há a aparição de outras artistas, incluindo aí a citação ao grande AKB48, mas o foco é na Rio e seu fã-clube.

O fã-clube de Rio pode parecer normal para quem está acostumado ao meio, mas para quem é de fora soa totalmente estranho. Diversos homens já adultos, com 30, 40, 50 anos. Todos ali reunidos para apoiar Rio em seus shows e afins. Todos unidos por um ideal. Todos unidos para se divertirem. Mas isso não é só com ela. Com qualquer outro fã-clube é assim. Seja solo, seja grupo, seja maior de idade, seja adolescente, seja criança, os caras estão sempre lá. Muitos. Mas como eles gostam disso?

Embora por vezes possa soar como algo pedófilo ver adultos curtindo uma adolescente, o documentário desfragmenta esse pensamento e analisa as situações, demonstrando uma questão muito mais profunda. Muitos fãs procuram ali um meio de fugir da realidade e de se sentir bem. Eles procuram uma forma de se satisfazerem e de suprirem suas vontades de forma fácil, mesmo que tudo seja apenas uma ilusão. Criam uma utopia para suas vidas.

A verdade é que existem vários tipos de fãs e de idols. Não devemos sair julgando livremente. O documentário tenta focar no lado negativo desse universo idol, e não resumir o j-pop, por mais que seja parte da realidade. Uma prova dessa diferença parte do fato de mostrarem motivações variadas entre os fãs. Comparando dois: Na cena do AKB, um fã diz preferir uma idol do grupo apenas por ela ser mais nova (menor de idade) e por isso mais "pura", "inocente", o que o agrada visualmente. Em contrapartida, numa cena com um fã da Rio, ele revela que ela se tornou um espelho para ele por ele ter fracassado na vida. Ou seja, ela se tornou alguém, o que o fez a colocar num pedestal para admiração e adoração, por assim dizer. Se faz sentido e o motivo de ser justo ela, já complica ter uma resposta válida para outros que não seja ele e os fãs.

Não é que há apenas intenções maliciosas nesse universo. Sabe aquele tio brincalhão da família? Eles se consideram isso. Para muitos, há apenas a necessidade de ser amado. Adicione isso ao fato deles serem otakus, afastados da família, ignorados pela sociedade e que o índice de relacionamentos no Japão vem caindo e perceba a gravidade da situação. Eles não buscam interagir com o mundo lá fora. Os traumas e o fechamento perante a sociedade os fazem buscar uma rota de fuga. As idols são essa rota de fuga. É como se elas servissem de consolo para eles. E parece que ambos os lados estão satisfeitos com isso. Como elas mesmo dizem, são graças a eles que elas estão onde estão. Isso abre a outros assuntos, como a submissão. É tudo construído culturalmente e socialmente para que chegue até onde chegou.

Deveriam ter dado mais espaço para a jornalista que participa do documentário. As pouquíssimas cenas em que ela aparece são impactantes, jogando pensamentos reflexivos sobre toda essa situação e até contradizendo algumas opiniões de outros participantes. Particularmente concordei com bastante coisa que ela falou (acabei por citar indiretamente algumas ao longo da crítica).

O universo idol é algo assustador e encantador ao mesmo tempo. Ele consegue unir os rejeitados e trazer novas motivações para viver. Esses motivos é que variam de fã pra fã. Alguns estão bem, mas outros estão num nível preocupante. O documentário deixa o potencial de poderem explorar mais ainda o lado negro da cultura midiática japonesa. Se fizessem um sobre animes e mangás focado nisso, mostrariam algo tão doentio que faria Tokyo Idols parecer leve. E olha que esse já é um documentário marcante.

domingo, 20 de agosto de 2017

Defensores na Netflix: uma roleta russa do barulho!

Não é de hoje que temos grupos se reunindo de heróis em cinema e TV, MAS, Defensores, com apenas 8 episódios, trouxe um frenesi muito grande, e finalmente foi lançado, com muitas cenas que tiram o fôlego.


Tivemos Demolidor com duas temporadas frenéticas, Jessica Jones com seu jeito embriagado de ver a vida, Luke Cage com seu estilão do Harlem de agir, e Punho de Ferro (que a série teve ritmo rápido demais pro que o personagem precisava mostrar, e ainda assim, o público, que sequer conhecia a existência do personagem, reclamaram que o ritmo da série era lento demais), pra completar o time, para, aí então, vir a série dos quatro reunidos: Defensores!

Originalmente, os Defensores originais seriam o Doutor Estranho, Hulk, Namor e Surfista Prateado (este último, com so direitos na FOX, portanto, dificilmente seria negociado para cinema ou TV pela própria Marvel). Como não houve o time original no universo cinematográfico da Marvel, pela Netflix, o time inicial foi criado por remanescentes de uma das formações mais próximas dos dias atuais, então, não pense no universo dos quadrinhos ao ver a série, caso você conheça já a turma e suas histórias. Basicamente, os Defensores vieram, originalmente, para lutar contra aqueles que os Vingadores não conseguiram vencer. Seria algo mais místico. Como aqui, de místico, só temos parte do passado do Punho de Ferro, podemos dizer que é mais da "turma da porrada" (o HULK ainda combina).

Pros desavisados: admito que gostei tanto das 4 séries solo, quanto da série dos Defensores. Povo virou "crítico profissional" sem muito conhecimento, e a maioria só segue a lógica de "Tal site/blog disse, nós acreditamos" e muitos criticam sem sequer ter assistido ou visto qualquer cena.


Cada uma das séries, individualmente, foram ótimas, só tendo um ou outro deslize, como o iPod de bateria eterna do Danny Rand, e coisas do tipo. Nada muito grave pro que as histórias prometiam. o Punho de Ferro foi lento pro povo que queria um Demolidor de roupa amarela. O Punho de Ferro, originalmente, precisava ser MAIS LENTO AINDA no ritmo da série, foi extremamente rápido, pro que o personagem precisava ter vivido, em ritmo e em história.

Povo fica de mimimi, e daqui a pouco as séries são todas canceladas e povo vai reclamar que era pra continuarem. Cada personagem tem seu ritmo, então, não era pra todos terem o frenesi ininterrupto do Demolidor, por exemplo. Algumas histórias precisam de mais drama, outras de mais comédia, outras de velocidade e ação, outras de mais momentos parados. Se for pra ser tudo igual, melhor nem ter mesmo, e povo ficar 'órfão" de boas séries.

Assistam sem expectativas, apenas preparados para comer um lanche e prestar atenção na história em si, e DEPOIS, se for o caso, pensem. Série é ENTRETENIMENTO.

Aliás, provavelmente ninguém sacou que os membros originais dos Defensores sequer tiveram participação na série, né? Cadê o Doutor Estranho, o Hulk, o Namor, ou mesmo o Surfista Prateado (que tá na FOX com o Quarteto Fantástico os direitos de uso do personagem, logo, por isso sequer pode ser mencionado).


De toda forma, todas as séries estão ÓTIMAS, e Defensores conseguiu mesclar os estilos dos quatro personagens em uma série de 8 capítulos, que termina com gostinho de "quero mais". Ah, já aviso que, no último capítulo, lágrimas vão rolar até do mais macho espectador, e tem um "teaser pós-créditos" bem interessante.

Para não haver spoilers (já que o povo acha que até falar o título de um filme é spoiler, hoje em dia, pra essa gente chata de galochas), indico a seguinte ordem: assistir Demolidor, seguido de Jessica Jones, depois Luke Cage, ver Punho de Ferro, e aí então, pegar um dia inteiro pra maratonar Defensores (com um bom lanche à disposição). A série tem 8 capítulos de 45 minutos cada, então, separe uma 8 horas (já contando tempo de ir ao banheiro e de pegar mais comida/bebida).

Assim como visto nas quatro séries anteriores, temos aqui como vilão o Tentáculo (a organização criminosa milenar, que tanto manda e desmanda em tudo quanto é canto pelo mundo). Temos algumas cenas escuras que podem atrapalhar um pouco a visão de quem usa óculos, mas, isso é mais no primeiro episódio. A direção está muito boa, e o roteiro ficou bem intenso. Temos alguns momentos de alívio cômico inesperados que garantem que você esteja tenso e do anda dê um riso rápido momentâneo (o que ajuda a fazer respirar). A harmonia e ritmo da série são ditados mais a partir do segundo episódio, logo, se achar o primeiro muito fragmentado e "parado", NÃO DESISTA POR AÍ.


Há referências bem interessantes à alguns momentos chave das séries anteriores e até mesmo à certas coisas dos quadrinhos, então,se  você gosta de reparar detalhes, preste atenção em todos os momentos.

Admito que ainda torço firmemente para que o pessoal da Marvel/Disney pensem bem, e consigam fazer crossover, mesmo que sejam rápidos de personagens dos filmes nas séries, e personagens das séries nos filmes, para que os fãs possam desfrutar, mesmo que rapidamente, deste prazer.

Garanto que, quem tiver tempo de ver Defensores, vai acabar entendendo melhor algumas coisas que ficaram sem explicação nas quatro séries anteriores, mesmo que pouca coisa, e vai estar preparado para os próximos capítulos da novela "Fãs de Quadrinhos, de cinema e de conspiração versus galera Mimizenta".

E Agora, é hora da porradaria!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

[CRÍTICA]Professor de Pesadelos (Nightmare High)

A Netflix brasileira andou apostando em séries e "doramas" asiáticos, em maioria japoneses e koreanos, e, um que me chamou a atenção esta semana foi "Nightmare High" (악몽선생 na tradução correta do koreano, ficaria "Night Teacher", e que recebeu no Brasil o nome de "Professor de Pesadelos" nos títulos de cada episódio).


A história é um terror "light", com suspense bem amarrado, trilha sonora que te faz sentir intrigado e querendo saber o que vem a seguir, e personagens com sofrimentos fortes querendo seus sonhos realizados de alguma forma. E tudo começa num dia comum de aula do terceiro ano de uma sala de jovens, que recebem a notícia de que o professor sofreu um acidente, e agora eles teriam um professor substituto muito suspeito, que acaba mudando completamente o dia a dia desta turma.

Não vou negar, realmente me prendeu a atenção como nenhuma outra série me prendia há tempos, o que me fez ficar com uma questão na cabeça: como poderia algo com quase nada de efeitos especiais, me prender tanto e me fascinar ao ponto de ver tudo de uma vez, sem me cansar?

A resposta, com certeza, seria: roteiro bem amarrado, com uma edição muito boa e trilha sonora marcante. Afinal, o que poderia fazer um coletivo de pessoas se esquecer completamente de algu[em, em um instante, e para sempre, mesmo que esta pessoa fizesse parte de nossas vidas desde que nos damos por gente? O que nos faria assinar um contrato duvidoso que pudesse custar algo que nos é muito valioso, e que não é material?

É claro que, em sã consciência, nós não aceitaríamos, afinal, é algo duvidoso, mas, geralmente, quando o "Diabo" nos traz um contrato, geralmente é quando mais precisamos de algo, e este contrato "milagroso" seria a única opção viável para que consigamos nos dar bem, e é uma base simples e direta, que é mostrada nesta série, que contém uma história completa com vários pequenos arcos de 2 episódios cada conto, se passando no mesmo local, com o mesmo grupo de pessoas, ao longo de um ano letivo colegial.

Curiosamente, o plot desta série é justamente algo que intriga já pela sinopse: Um professor sofre um acidente e é substituído temporariamente por um homem que os professores conhecem bem, mas não faz parte da lista de empregados na escola "Colegial privado, chamado Yosan Private high School).

Observando em detalhes, temos ali o relógio de parede de marca japonesa, provavelmente como um patrocinador da série (o que nem tem muito a ver com a história, foi só algo que notei mesmo). Há um metrônomo na sala de orientação, aonde fica o escritório deste professor substituto misterioso, que sempre que um aluno assina um contrato, o metrônomo para no meio. Há vários detalhes bem curiosos, e coisas bem legais, que te fazem arregalar os olhos, sem precisar de efeitos especiais, monstros, ou coisas miraculosas, o que já faz esta série merecer o tempo de 15 minutos por episódio que nos é entregue diretamente na Netflix!

Recomendo pra quem curte filmes asiáticos, um bom mistério e terror psicológico leve e que faz pensar.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Would You Rather (2012)

"Would You Rather" é um filme dirigido pelo, até então desconhecido, David Guy Levy, no ano de 2012.



Sinopse: Desesperada para ajudar seu irmão doente, Iris (Brittany Snow) aceita participar de um jantar organizado por um aristocrata. Outras pessoas são convidadas, e todos têm algo em comum: são pessoas em dificuldades, procurando ajuda financeira. Mas para ganharem o auxílio do anfitrião, eles devem participar de uma noite repleta de jogos sádicos, nos quais são obrigados a mutilar, eletrocular e mesmo explodir uns aos outros.

Crítica: Apesar de ser algo comum atualmente em filmes de suspense/terror (mais pra suspense, estilão "Jogos mortais"), e ter algumas coisas bem previsíveis, o roteiro te prende bem, e a atuação da galera (incluindo o ator que faz par romântico com a Agente Carter da série da Marvel), Jeffrey Combs (Dr Herbert West de Re-Animator) e a fabulosa Sasha Grey (ex-atriz pornô, e mostrando uma boa atuação como atriz de filmes de Hollywood) convence legal. Temos aqui uma mistura de atores de séries dramáticas, filmes de comédia, dentre outros, unidos em um filme sobre um rico que convida um grupo de pessoas à um jantar que finaliza a noite com uma espécie de jogo de sorte e azar, com consequências bem fortes para os participantes.

Apesar da sinopse praticamente já entregar parte do filme (Sinopse Oficial = Spoiler), como acontece bastante até com trailers de filmes, é interessante ver como a carruagem anda, e quem sofre com o quê,e quem se safa de quê.
David Guy Levy é um diretor muito versátil: Would You Rather é apenas o segundo longa-metragem dirigido por David Guy Levy. Antes desse filme, ele tinha estreado em um gênero muito diferente, com o drama intimista A Love Affair of Sorts (2011).

Logan Miller ("Blake" em The Walking Dead) faz o papel do irmão doente de Brittany Snow (Nip/Tuck, Gossip Girl, Todas Contra John, dentre outros trabalhos), neste thriller intenso, ao lado de veteranos como o próprio Jeffrey Combs (Herbest West em Re-Animator, Edgar Alan Poe na série "Masters of Horror", alguns personagens recorrentes em Star Trek, etc),John Heard (que andou meio sumido dos cinemas, e reapareceu em Sharknado), John Coyne (Tomb Raider: A Origem da Vida, a série "Merlin", Se Beber Não Case 3, Gotham e Mom, na Warner Channel), do ator que hoje é o Pinguim na série Gotham, e da novata em Hollywood, que iniciou sua carreira em filmes pornográficos de sadomasoquismo e sexo grupal, e hoje mostra todo o seu talento em filmes de drama, terror e suspense em Hollywood, Sasha Grey!

Com este elenco de peso, uma belíssima construção de história, e todos os elementos que um thriller indie precisa, é um filme que vale cada minuto assistido, sem arrependimentos (exceto se você tem problemas cardíacos com cenas fortes ou confunda filmes e a vida real).

Nota: 9/10

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Um Passeio no Jardim da Vingança (ou Se Black Mirror fosse um livro")

Se você gosta de uma boa ficção próxima da realidade, como num futuro não muito distante, assim como ocorre coma  série da Netflix, Black Mirror, aqui temos uma dica de livro bem interessante e intensa: Um Passeio no Jardim da Vingança



Com uma narrativa perturbadora e intrigante, o livro "Um passeio no jardim da vingança", do autor e juiz do trabalho Daniel Nonohay, explora o universo de distopias, tema frequente no mundo das séries.

Fazendo link com produções como Black Mirror, que narra histórias que se passam em um futuro não muito distante e distópico e que mostram de um jeito meio assustador onde a tecnologia - ou o nosso vício em tecnologia, redes sociais e afins - pode nos levar, o autor convida aos leitores a imergir em um ambiente cercado de dinheiro, conspiração, inteligência artificial e um único desejo: a vingança.


Literatura, tecnologia, drogas, religião e conspiração

Daniel Nonohay lança obra inquietante com um novo olhar sobre a dependência das drogas e quais crimes o homem é capaz de fazer por ganância, poder e amor

O juiz do trabalho de Porto Alegre, Daniel Nonohay, despertará no leitor muitos sentimentos e um verdadeiro desconforto. Emoções que somente os escritores mais ousados conseguem trazer para a literatura. Entrar na narrativa de Um Passeio no Jardim da Vingança é, sem exageros, um caminho sem volta. Lançada pelo grupo Novo Século, a trama apresenta um anti-herói, que provocará distintas sensações, empatia e por que não, raiva?

A obra é uma ficção policial futurista em um mundo no qual a tecnologia é extremamente avançada e a capacidade de memórias e aptidões humanas se amplia por meio dos implantes cibernéticos. Nesta cidade distópica, dividida entre zonas vigiadas e periféricas, as drogas são controladamente liberadas.

O recurso literário utilizado em Um Passeio no Jardim da Vingança apresenta uma linha cronológica paralelaque já transporta o leitor para o ápice da história. “Acessei a rede e carreguei os depoimentos e as demais provas. A película piscou, solicitando que eu permanecesse imóvel, enquanto autenticava os documentos com base na minha leitura biométrica. Os procedimentos eram realizados em silêncio, mas um dó menor mudo, contínuo e tenso podia ser quase ouvido vindo do sistema.” (p.17).

O relato acima, narrado em primeira pessoa, é do advogado Ramiro, personagem principal que não tem mais perspectivas na vida. É rico, drogado, adúltero, já não gosta mais do trabalho, até sofrer um atentado terrorista em meio a uma audiência e quase morrer. A trama segue com o protagonista descrevendo como foi se recuperar de dois meses em coma e a tentativa de retomar a vida no escritório de advocacia.

Depois de ser impedido de retornar ao escritório e ter o ego ferido, Ramiro começa a utilizar a tecnologia disponível, inclusive dois chips implantados em seu cérebro, para conseguir o máximo de informações sobre as movimentações que eram realizadas por seus sócios. Mesmo sabendo que o caminho era sem volta, ele não imaginava que, além deles, outras organizações estariam envolvidas neste círculo de crimes, como uma seita religiosa e seu perigoso pastor.

Com uma narrativa rápida e de estilo próprio, Nonohay demonstra os sentimentos e o caráter dos personagens de forma que fica fácil associar o drama da ficção com a própria realidade, construindo uma trama atemporal. O leitor verá uma simples decisão colocar em risco o próprio Ramiro, sua esposa, os sócios e todos aqueles que se sentiam seguros ao redor deles.

Um Passeio no Jardim da Vingança, que chega agora às livrarias de todo o país, tem como cenário uma Porto Alegre de 2038. Ameaça, tecnologia, estupro, coerção e morte são alguns dos temas intensos e polêmicos dessa trama inacreditável e imprevisível. Uma viagem futurista para as mentes que não conseguem ficar longe de uma intensa narrativa.

Sobre: Daniel Souza de Nonohay nasceu em 1973 e mora em Porto Alegre. É casado e pai de duas filhas. Juiz do trabalho, escreveu o seu primeiro romance à mão, em dois cadernos pautados, quando tinha 17 anos. É autor de artigos técnicos, na área do Direito e políticos, que foram publicados em livros, jornais e sites. Organizou livros de coletâneas. É colorado. Atuou como professor e é pós-graduado em Direito do Trabalho. Foi Presidente da Associação dos Magistrados do Trabalho do Rio Grande do Sul. Atualmente, aproveita cada um dos seus poucos segundos livres para escrever, a sua segunda paixão.

Ficha técnica
Um Passeio no Jardim da Vingança – Daniel Nonohay
Páginas: 
301
Formato: 
13x18cm
ISBN:
 9788542809275
Preço: 
R$ 34,90