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segunda-feira, 13 de outubro de 2025

[Crônica] Teorias Perturbadoras de Terror Que Você Nunca Deveria Saber

Sabe aqueles filmes de terror que te deixam com aquela sensação estranha?

Aquela sensação de que tem algo ali… além do que a gente tá vendo?


Às vezes, o verdadeiro horror não tá na tela.

Tá nas entrelinhas.
Nas ideias escondidas, nas metáforas, nas mensagens que… talvez, a gente nunca devesse entender completamente.

Alguns desses filmes foram feitos pra isso mesmo.
Pra provocar, pra cutucar, pra deixar a gente desconfortável…
Porque o terror, quando é bem feito, ele não só assusta.
Ele faz a gente pensar.

E quando você finalmente entende o que tá acontecendo…
O medo muda de lugar.
Ele sai da tela… e entra na sua cabeça.

1. Mary Poppins e Pennywise são a mesma criatura

Parece loucura, né?
Mas pensa comigo.

Os dois descem do céu.
Aparecem sempre pra lidar com crianças.
E quando vão embora… ninguém lembra direito do que aconteceu.

Mary Poppins chega com guarda-chuva, cantando, sorrindo, e transformando a rotina das crianças em algo mágico.
Pennywise aparece com balões, dançando, rindo… antes de devorar quem chega perto demais.

Os dois representam forças que moldam a infância.
Mas uma desperta alegria… e a outra, medo.

E se forem a mesma coisa?
A mesma entidade, alternando entre luz e sombra?

Pense: Mary surge quando a família tá em crise, quando as crianças tão tristes, confusas.
Ela traz felicidade, mas… sempre com uma sensação estranha, quase manipuladora.
Ela canta, sorri, muda a realidade à vontade… e depois desaparece, como se nunca tivesse existido.

E Pennywise faz o mesmo — só que do outro lado da moeda.
Ele se alimenta do medo, aparece a cada 27 anos, muda de forma, brinca com as crianças antes de matá-las.

Dois polos de uma mesma energia — uma que se alimenta da emoção humana.
Um demônio emocional.
Um vampiro de sentimentos.

Mary Poppins suga alegria. Pennywise suga terror.
E ambos, de alguma forma, deixam as pessoas vazias quando vão embora.

É como se fossem entidades cósmicas, existindo desde sempre, aparecendo em formas diferentes… pra se alimentar de nós.
De tudo o que sentimos.

E o mais assustador é perceber que talvez… o bem e o mal não sejam opostos.
São apenas lados diferentes da mesma fome.

2. “Nope” é sobre anjos, não alienígenas

Agora vamos pra Nope, do Jordan Peele.
Um dos filmes mais enigmáticos e simbólicos dos últimos tempos.

Todo mundo pensa que o bicho no céu é um OVNI, né?
Mas e se… não for isso?

A criatura não tem forma definida.
Ela se comporta mais como um ser vivo do que como uma nave.
E o modo como ela age lembra muito as descrições dos anjos bíblicos — aqueles seres do Antigo Testamento, que não têm asas de pena nem rostos bonitos.
Eles eram descritos como criaturas de múltiplos olhos, com formas impossíveis de entender, e que, só de olhar pra eles, as pessoas já enlouqueciam.

E quando você olha pro “OVNI” de Nope… é exatamente isso.
Algo que não deveria ser visto.

No Velho Testamento, anjos vinham pra punir os humanos que tentavam desafiar o divino.
E em Nope, o que acontece?
O ser aparece, e todos que tentam explorá-lo, filmá-lo, tirar vantagem… são devorados.

Não é uma invasão alienígena.
É um julgamento.

A gente tá acostumado a ver o terror vindo de fora — mas Nope mostra o contrário.
Mostra o que acontece quando o ser humano tenta domesticar o sagrado, transformar o mistério em espetáculo, e o desconhecido… em conteúdo.

O terror de Nope não é extraterrestre.
É espiritual.
É o horror de brincar com o divino, achando que pode controlar o que tá além da compreensão.

3. “Um Lugar Silencioso” é uma crítica à própria humanidade

Agora… Um Lugar Silencioso.
Todo mundo fala das criaturas, do silêncio, da tensão…
Mas quase ninguém fala sobre o que elas podem simbolizar.

E se aquelas criaturas não fossem alienígenas?
E se fossem criações humanas?

Pense: elas são cegas, rápidas, perfeitas na caça, e reagem ao som.
Parece até que foram feitas em laboratório, né?
Uma arma biológica que fugiu do controle.

A humanidade criou a ferramenta da própria extinção.

Isso transforma o filme completamente.
Deixa de ser um simples terror de invasão e vira uma metáfora sobre arrogância.

Porque, no fundo, Um Lugar Silencioso é sobre o preço da ciência sem consciência.
Sobre como a busca pelo poder pode destruir tudo.
É uma parábola moderna, onde o castigo vem não do espaço… mas das nossas próprias mãos.

O filme mostra uma família tentando sobreviver num mundo que a própria espécie destruiu.
E o silêncio vira o símbolo da culpa.
O silêncio que resta depois da destruição.

O verdadeiro terror ali não é morrer…
É perceber que fomos nós que causamos tudo.

4. O verdadeiro monstro é o trauma

Essa é uma das minhas favoritas.

Filmes como Oculus, Halloween 2018 e The Lighthouse têm algo em comum:
O mal… não vem de fora.
Ele mora dentro das pessoas.

Em Oculus, o espelho não é mágico.
Ele é um símbolo da loucura familiar.
Um reflexo do que as pessoas não querem ver em si mesmas.

Em Halloween, Laurie Strode passou 40 anos tentando se livrar de Michael Myers.
Mas ela também virou refém dele.
A vida dela gira em torno do próprio medo.
E no fim… eles se tornam iguais.
Ambos vivem em função do trauma.
Ambos são definidos por ele.

E em The Lighthouse… as coisas ficam ainda mais estranhas.
Dois homens presos num farol, enlouquecendo aos poucos.
Mas e se eles não forem dois?
E se forem o mesmo homem, em conflito com ele mesmo?

Tudo ali é simbólico: o farol, a luz, o isolamento.
É a culpa tomando forma.
É o castigo mental de alguém que já não sabe mais quem é.

Esses filmes mostram que o horror verdadeiro não vem de monstros.
Vem do peso que a gente carrega.
Do que a gente reprime.
Do que a gente finge que não sente.

O trauma… é o monstro que nunca morre.

5. O inferno é pessoal

Agora, essa última parte… é pesada.

Em Krampus, ninguém morre.
Eles são punidos.
Presos num loop eterno, vivendo o mesmo Natal pra sempre — o Natal que eles estragaram com egoísmo e falta de amor.
É o castigo perfeito: reviver pra sempre o momento do erro.

Em It Follows, a maldição que persegue as pessoas pode ser só uma representação da culpa sexual.
Algo invisível que te acompanha, que nunca te deixa em paz, até você aceitar o que fez.

E em Men e Skinnamarink, o inferno vira casa.
Um lugar familiar que de repente se torna estranho.
As paredes se fecham, o tempo não passa, e tudo que era seguro vira ameaçador.

Esses filmes falam sobre o inferno interno.
Sobre viver preso dentro da própria mente.
Sobre o castigo que vem de dentro — e não de fora.

O inferno não tem fogo, nem demônios com tridentes.
O inferno é psicológico.
É o eco da própria consciência.
É o arrependimento, o trauma, o vazio.

E quanto mais a gente tenta fugir… mais fundo ele puxa.

Conclusão

O terror mais assustador…
não vem dos monstros.
Nem dos fantasmas.
Nem dos demônios.

Vem daquilo que a gente guarda aqui dentro.
Das culpas, dos medos, dos segredos que a gente nunca contou pra ninguém.

E quando os filmes de terror tocam nessas verdades…
eles deixam de ser apenas histórias.

Eles viram espelhos.
Espelhos do inferno… que existe dentro de nós.

Porque, no fim das contas…
o terror mais perturbador…
não é o sobrenatural.

É o humano.

sábado, 31 de maio de 2025

[Crônica] O Sentido da Vida segundo a comédia e o terror ao longo dos tempos!

Vamos embarcar numa análise filosófica do sentido da vida, utilizando como prisma os filmes de comédia e terror de 1910 até 2025, temperada com humor negro e atravessando épocas e estilos — de Chaplin a Premonição, de Bruce Lee a Leslie Nielsen.


A Vida é Uma Piada Trágica (Com Chaplin e o Horror Mudo)

Começamos pelos anos 1910-1930, onde Charlie Chaplin fez do sofrimento um espetáculo cômico — não porque a dor seja engraçada, mas porque, quando a vida insiste em te chutar, talvez o único gesto de dignidade possível seja levantar-se e tropeçar com estilo.

Em Tempos Modernos (1936), Chaplin é engolido literalmente por uma engrenagem, sendo cuspido de volta como uma peça inadequada para a máquina do sistema. A filosofia implícita: o ser humano, reduzido a sua função, perde a identidade — e, no fundo, isso é hilário e trágico ao mesmo tempo. Já nos curtas de horror mudo da mesma época, como The Haunted House (1921), Buster Keaton corre de fantasmas falsos como se fugisse do próprio sentido da existência — e talvez estivesse mesmo.

A comédia e o terror mudo revelam algo essencial: a vida é absurda e não há diálogo possível com o destino — só gestos exagerados, caretas e correrias.

O Heroísmo Como Piada Existencial (Bruce Lee & a Comédia Física dos Anos 60-70)

Bruce Lee, nos anos 60 e 70, entra como figura trágico-heróica num mundo que insiste em subestimar o espírito. Em O Voo do Dragão (1972), ele derrota Chuck Norris num Coliseu vazio — como se dissesse que, mesmo na glória da luta, o público do sentido da vida já foi embora.

Enquanto isso, Leslie Nielsen estreia nos filmes sérios antes de virar o mestre do nonsense. Em O Planeta Proibido (1956), a ameaça é o subconsciente — o “monstro do id” — como se a vida fosse, essencialmente, um duelo com nossos próprios impulsos. Já nos anos 80, Nielsen assume o caos absoluto com Corra que a Polícia Vem Aí (1988), onde o mundo é tão ilógico que só resta rir. É quase o mesmo diagnóstico existencialista de Sartre, mas com piadas escatológicas.

Lição filosófica: O herói moderno — seja lutador ou detetive trapalhão — tenta impor lógica num mundo essencialmente cômico ou aterrador. O fracasso é inevitável, e justamente por isso, glorioso.

A Morte como Roteirista Fracassada (Premonição e o Horror Adolescente dos anos 2000)

Nos anos 2000, entramos no território onde a morte tem uma agenda — como em Premonição (2000). O sentido da vida aqui não é construído, mas adiado. Você pode escapar do acidente de avião, mas morrer engasgado com um pedaço de frango enquanto assiste TV — isso se o micro-ondas não explodir primeiro. A mensagem é clara: a morte tem criatividade, mas nenhum senso de timing.

Essa “morte engenheira” contrasta com o horror dos anos 80, como Sexta-feira 13, onde o assassino é quase uma força da natureza: Jason mata porque sim, porque está ali, como uma quarta-feira chuvosa. Já a Morte de Premonição mata como se fosse estagiária de cinema experimental, usando escadas, cortadores de grama e linhas de pesca.

Aqui, o terror assume um papel filosófico irônico: Você é só um boneco numa Rube Goldberg de desgraça, e o único livre-arbítrio que você tem é escolher qual playlist tocar antes de morrer.

Comédia Meta e o Vazio Existencial do Cinema Pós-Moderno (2020–2025)

Filmes recentes como Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo (2022) trouxeram uma nova camada à busca do sentido: e se o sentido não existir — e tudo bem?

A personagem Evelyn é confrontada com versões infinitas de si mesma, inclusive uma em que ela é... um pedregulho. A resposta emocional mais honesta do filme acontece quando duas pedras conversam silenciosamente com legendas: “Nada importa”. Mas isso não é um lamento — é libertador.

Outros filmes de terror como M3GAN (2023) e Fale Comigo (2022) abordam o tema da tecnologia e da comunicação com os mortos, como se a vida só ganhasse sentido ao cruzar com o que não compreendemos. O medo aqui é de sermos substituídos ou ignorados — seja por bonecas robóticas ou por espíritos desinteressados.

Nessa era, o sentido da vida virou um aplicativo — mas ninguém leu os termos de uso.

Montagem Final: A Filosofia do Gag, do Sustão e do Silêncio

Unindo todos esses estilos e épocas, chegamos a algumas possíveis conclusões sobre o sentido da vida segundo o cinema de comédia e terror:

1. A vida é uma piada sem punchline.

  • Chaplin tropeça eternamente.

  • Leslie Nielsen acha que está num drama, mas é a piada.

  • Premonição mata o cara antes do clímax.

2. O sentido da vida talvez seja resistir ao roteiro.

  • Bruce Lee não aceita perder, mesmo sem plateia.

  • As Final Girls sobrevivem porque desobedecem as regras.

  • Evelyn, em Tudo em Todo Lugar..., aprende a amar o caos.

3. A morte é só mais um personagem — meio amadora, diga-se de passagem.

  • Em Todo Mundo em Pânico, ela tropeça mais que os vivos.

  • Em Beetlejuice (1988), ela faz fila de espera no além.

  • Em Destino Final, ela tem mais estilo que lógica.

4. Se a vida não tem sentido, invente um com trilha sonora.

  • A dança de Chaplin e a música de A Vida é Bela (1997) são formas de dizer "ainda não acabou".

  • A luta final em Operação Dragão é uma coreografia filosófica.

  • Até nos piores filmes B, alguém grita “CORREEEEE!” — o chamado universal para continuar existindo.

Conclusão:

No fundo, a vida, segundo o cinema de comédia e terror, não precisa de sentido — só de ritmo, timing e uma boa câmera na mão.

A existência é um looping entre sustos e gargalhadas, onde o riso e o medo são duas reações ao mesmo mistério: por que estamos aqui, e o que acontece depois do fade-out?

Enquanto a resposta não vem, melhor rir, gritar, tropeçar e improvisar. Como disse um personagem que provavelmente já morreu num filme qualquer:

“A vida é curta demais pra levar a sério… mas longa o bastante pra fazer você se borrar de medo enquanto ri.”


Então, com ou sem sentido, vamos viver? 

segunda-feira, 3 de março de 2025

Precisamos emputecer: "Eu Ainda Estou Aqui" é o melhor filme de todo o Oscar e não recebeu tudo o que merecia


Olá, eu sou o Victor, alguns podem me conhecer pela live semanal que tenho junto com o Yatta e o Lello: o Nerdice Me Disse. Até há pouco tempo, eu tinha o meu próprio site, o Nerdice.com, mas ele está sendo reconstruído do zero e este texto não podia esperar.



Então, vamos falar de Brasil e de Oscar?

Pra começo de conversa, os votantes da Academia são majoritariamente americanos que tem como principal objetivo:

a) favorecer os seus;

b) ditar a indústria como um todo;

c) se dada a oportunidade, fabricar novas estrelas que serão usadas e jogada pra escanteio 20 anos depois.

O que de bom um Oscar pra Fernanda Torres daria para Hollywood? Uma atriz brasileira, de sotaque forte e com 60 anos de idade! Nem as próprias atrizes americanas nessa faixa etária têm muito uso pra eles. Indicaram Demi Moore e celebraram "A Substância" só pra fingirem por um minuto que se importam com o etarismo escancarado do áudio visual americano.

"Um excelente filme em português? Se contentem com o Oscar pra filme internacional que criamos pra vocês acharem que fazem parte disto aqui. Já nos aventuramos a premiar com a honraria máxima um filme como o de vocês, mas só pra abrir um precedente e causar a impressão de que nós sempre vamos premiar o melhor, independentemente na nacionalidade do filme. Vocês acreditaram mesmo que tinham chance? Tadinhos."

"Uma brilhante atuação nesse filme em português? Ela é bonita? Ela é jovem? Ela fala bem inglês? Ela poderia ser uma super-heroína, uma princesa ou uma aventureira? Pois é, né! A nossa é tudo isso. Desculpe, não importa se é a melhor atriz do mundo, se não cumprir esses quesitos não serve pra gente."

Essas são falas imaginárias que ilustram bem as lições que ficaram após a última cerimônia do Oscar. A Academia ludibriou o mundo inteiro ao, anos atrás, dar o Oscar pra Parasita, mas foi tudo joguinho pra angariar mais influência e soft-power para a própria indústria americana. Não vamos continuar nos enganando achando que os filmes não-americanos disputam em pé de igualdade com as produções da toda poderosa Hollywood, pois não é e nunca será o caso.

Por mais que eu goste de Anora, pra mim ele está fadado a cair no "que filme ganhou ano passado mesmo?", da mesma forma que foi com Nomadland e CODA, pra citar dois exemplos bem recentes. Muitos se perguntam "O que precisa um filme pra ser digno do Oscar?" eu respondo: memorabilidade. CODA venceu "Duna: parte 1"; Nomadland venceu em um ano com Druk e Minari. Na história do Oscar existem vários vencedores que são rapidamente esquecidos e perdedores que entram pra história (como um tal "Cidadão Kane"). Posso estar errado, mas acredito que Anora será um desses casos de vencedores esquecidos. E Ainda Estou Aqui será eternamente lembrado em uma nação de mais de 200 milhões de habitantes.



"Eu estava torcendo para 'Ainda Estou Aqui', mas Anora é bom e mereceu"

Vou falar pra vocês: me incomoda muito essa de "claro que mereceu! Mas se fosse esse outro, merecia também. E se fosse aquele outro lá, claro que também mereceria". Muito chata essa política do "todo mundo que tá ali merece" que vejo empregada por muitos críticos. 

Pô, vamos ter mais comprometimento com uma preferência, uma torcida, uma história, uma visão. É óbvio que um vai merecer mais do que o outro, ou senão o Oscar sempre terminaria empatado. "Ainda Estou Aqui" é um filme melhor que Anora, e foi feito sem o aparato da indústria estadunidense. Dane-se que Anora é um filme "barato" pros padrões deles, ainda é um filme americano feito por um americano e para os americanos.

Parte da razão do Brasil ter ganhado o primeiro Oscar só agora é nosso viralatismo. Eu me lembro bem de quando Central do Brasil perdeu e os brasileiros começaram a assistir A Vida é Bela e justificar nossa derrota com "ah, mas realmente, esse filme é muito melhor"!... E puta que pariu, aquele filme é uma grande bosta, mas precisávamos nos convencer do contrário pra derrota ser menos ardida. Veja como uma derrota da Fernanda Montenegro pra uma atuação visivelmente inferior nos dói até hoje; foi um caso que nem com todo o viralatismo do mundo foi possível fazer um malabarismo meritocrático pra dizer que Gwyneth Paltrow era a merecedora daquela estatueta. E por mais que Mikey Madison seja sim muito boa, hoje não precisamos brandir "Anora é melhor, Mikey mereceu" pra frustração ser menor. É pra ficarmos frustrados mesmo. É pra dizer "a gente merecia os 3 Oscar e muito mais".

"Ah, mas a Mikey mereceu sim...". Se seu pensamento for alinhado com o da Academia, então sim, ela mereceu. Mas se você quer só avaliar a melhor atuação do ano... cara, estamos comparando a melhor atuação de uma das melhores atrizes brasileiras da história com a atuação muito competente de uma jovem atriz que tem de idade o que a primeira tem o dobro de carreira. É IMPOSSÍVEL ser melhor. Não é demérito ter 25 anos e ser derrotado por alguém de 60 que é objetivamente melhor. Mas é triste vencer sabendo que... bom, que você não é a melhor. 

Nosso filme aborda um tema muito mais importante, tem atuações melhores, a história da campanha muito mais significativa... É óbvio que a gente merecia mais. E os críticos e público ao redor do mundo parecem concordar, basta ler as críticas e opiniões nos mais diversos veículos.

Me diverti horrores com Anora e curto muito o filme, mas não é por isso que vou colocá-lo em pé de igualdade com o nosso Ainda Estou Aqui. "Ah, mas é clubismo..." e em parte é mesmo, e daí? A gente entende e sente mais sobre a importância desse filme do que os não brasileiros. É preciso mais orgulho, mais indignação diante de uma injustiça. Mas também nosso filme é DE FATO o melhor. E nossa atriz é DE FATO a melhor. É preciso aceitar isso. É preciso ficar PUTO sim.

Mikey faz muito bem em não ter redes sociais. A vida dela estaria um inferno agora, e ela não tem culpa de nada. É só mais um instrumento dessa indústria cruel que vai lhe encher de dinheiro e fama em troca de sua imagem e vitalidade, enquanto isso durar.

Já a Fernandinha será recebida de braços abertos pelo povo mais caloroso do mundo, e sabendo que não tem mais nada a provar. Seguirá feliz e realizada com a própria carreira, sabendo que seus fãs reconhecem seu verdadeiro valor pelo que ela é: uma das maiores artistas no nosso país e com um carisma infinito. E isso vale muito mais do que qualquer careca pelado. 

Então, que eles usem seu novo brinquedinho até enjoar. Já a nossa Fernandinha, bom... ela ainda está aqui. Conosco.

domingo, 27 de outubro de 2024

[Crônica] A Grande Saga do Pão de Queijo Político

Era uma vez, em um país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza, onde o pão de queijo era mais sagrado que o futebol, uma terra chamada Brasil. Nesta terra, havia dois reinos: o Reino da Esquerda e o Reino da Direita. Ambos os reinos eram governados por líderes que, apesar de suas diferenças, compartilhavam uma paixão comum: a arte de prometer o impossível.


No Reino da Esquerda, o Grande Líder Vermelho prometia pão de queijo grátis para todos. "Pão de queijo para o povo!", ele bradava, enquanto distribuía folhetos coloridos e organizava comícios com música ao vivo e dançarinas de samba. Seus seguidores, conhecidos como Queijistas, acreditavam piamente que um dia todos teriam pão de queijo ilimitado, sem precisar trabalhar. "Afinal, o pão de queijo é um direito humano!", diziam eles.

Enquanto isso, no Reino da Direita, o Grande Líder Azul prometia segurança total e absoluta. "Vamos construir um muro de pão de queijo ao redor do reino!", ele declarava, enquanto seus seguidores, os Queijões, aplaudiam fervorosamente. "Com esse muro, nenhum inimigo ousará nos atacar, e todos viveremos em paz e prosperidade!", proclamavam.

Mas, como em toda boa história, havia um problema. O Reino da Esquerda não tinha vacas suficientes para produzir tanto queijo, e o Reino da Direita não tinha tijolos de pão de queijo suficientes para construir seu muro. E assim, os dois reinos passaram a se acusar mutuamente de sabotagem e conspiração.

Os Queijistas acusavam os Queijões de roubar suas vacas, enquanto os Queijões acusavam os Queijistas de comerem seus tijolos de pão de queijo. E assim, a guerra do pão de queijo começou. As batalhas eram travadas com catapultas de pão de queijo e canhões de requeijão, enquanto os cidadãos comuns assistiam perplexos, tentando entender como tudo aquilo havia começado.

No meio desse caos, surgiu um herói improvável: Joãozinho, o padeiro. Joãozinho não era nem Queijista nem Queijão. Ele apenas queria fazer pão de queijo em paz. Cansado das promessas vazias e das brigas intermináveis, ele decidiu agir. Com sua receita secreta de pão de queijo, Joãozinho começou a distribuir seus quitutes para ambos os lados, sem discriminação.

E, aos poucos, algo mágico aconteceu. Os Queijistas e os Queijões começaram a perceber que, no fundo, todos amavam pão de queijo. E que, talvez, não precisassem de líderes que prometessem o impossível, mas sim de pessoas comuns, como Joãozinho, que faziam a diferença com pequenas ações.

E assim, os reinos da Esquerda e da Direita se uniram, não por causa de promessas grandiosas, mas pelo simples prazer de compartilhar um bom pão de queijo. E viveram felizes para sempre, ou pelo menos até a próxima eleição.

Esta crônica não é sobre pão de queijo, e dificilmente na vida real os dois lados abririam os olhos pra se unir por um bem comum. Mas, um homem ainda pode sonhar!