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[Crítica] Mestres do Universo | He-Man


Criada como um longo comercial televisivo de 22 minutos de duração, e exibida entre 1983 à 1985, a série de animação He-Man e os Mestres do Universo desenvolvida pelo estúdio Filmation em parceria com a gigante dos brinquedos Mattel, nasceu com o simples objetivo de dar suporte narrativo, ao que viria ser, uma das franquias de brinquedos mais populares dos anos 1980.



Como uma delicada carta de amor à série e seus personagens, o projeto de Travis Knight (Kubo e as Cordas Mágicas - 2015, e Bumblebee - 2018), busca revisitar as origens de He-Man, dos Mestres do Universo e do maligno Esqueleto, levando o espectador por uma nova jornada através das terras mágicas de Eternia, rica em detalhes e repleta de fan service.


A produção de 2026, lançada em 4 de junho, dá continuidade à estratégia adotada pela Mattel em Barbie (2023): transformar suas propriedades intelectuais em narrativas mais humanas e densas, aprofundando seus personagens e fortalecendo a conexão emocional com o público.



(Foto: Sony Pictures Entertaiment/Divulgação)

O longa acompanha o jovem e atrapalhado príncipe Adam (Nicholas Galitzine), herdeiro do trono de Eternia, que, após uma invasão devastadora causada pelas hordas de demônios de Esqueleto, é enviado com urgência pela Feiticeira (Morena Baccarin), para a realidade do planeta Terra ao lado da Espada do Poder, objeto que guarda todo o poder do reino. Forçado a deixar sua vida para trás, ele se torna a última esperança de salvação para seu povo.

Quase vinte anos depois, Adam vive como um adulto deslocado e sem perspectivas, em busca do artefato mágico, perdido ainda na infância. Dividindo um apartamento em meio a cidade e agora profissional de Recursos Humanos, evitando conflitos e preferindo o diálogo (uma clara menção as lições de moral que encerravam os episódios da série original).

Seu retorno a Eternia, porém, o coloca diante da missão de recuperar seu poder e restaurar a ordem em um reino devastado pelo caos e pela destruição semeados por Esqueleto.


(Foto: Sony Pictures Entertaiment/Divulgação)


Praticamente nada do visual original dos personagens foi alterado, algo perceptível desde os primeiros minutos. Um ponto importante a se destacar, porém, é a mudança na forma como Eternia e seus habitantes são retratados.

Aqui, o diretor opta por aprofundar seus personagens, afastando-os do simples conceito de eterna guerra entre bem e mal, que caracterizava a série original, e inserindo-os em conflitos mais complexos, envolvendo temas como alcoolismo, abandono, fuga e relacionamentos abusivos. 

Longe de ser um aspecto negativo, essa abordagem acrescenta uma camada extra de profundidade e contexto à narrativa, tornando seus personagens mais humanos e suas motivações mais compreensíveis.


(Foto: Sony Pictures Entertaiment/Divulgação)


O desenvolvimento da trama é um dos pontos fortes da produção. O longa mantém um ritmo consistente e dosado, equilibrando ação, humor e drama sem se alongar além do necessário. Não há pancadarias enfadonhas, nem momentos melodramáticos em demasia quebrando a experiência.

Cada elemento introduzido pela narrativa recebe atenção adequada e encontra uma resolução satisfatória. Simples, direto e eficiente, sem espaço para pontas soltas no roteiro. 


(Foto: Luiz Rodrigues/Jam Station)


Provando mais uma vez que é muito mais do que um rostinho bonito esculpido em uma montanha de músculos, Nicholas Galitzine (Vermelho, Branco e Sangue Azul - 2019) entrega um personagem surpreendentemente rico, transitando com naturalidade entre situações contrastantes e nuances emocionais distintas. 

O resultado vai muito além da caricatura do brutamontes de tanguinha e peruca chanel que marcou o imaginário popular ao longo dos anos cantando What's Going On do 4 Non Blonds com um fundo psicodélico.  

Adam não é um personagem excessivamente sério, mas também não se transforma em uma máquina de piadas (Oi, Thor) fora de contexto apenas para arrancar risadas da plateia. O equilíbrio entre humor e drama é um dos pontos fortes da interpretação.

Jared Leto (Tron: Ares - 2025), mesmo oculto sob o pesado trabalho de CGI aplicado ao personagem durante a pós-produção, ainda encontra espaço para brilhar com um eficiente trabalho de captura de movimentos apresentado no crânio de Esqueleto, e atuação vocal, ajudando a dar personalidade ao vilão.


(Foto: Sony Pictures Entertaiment/Divulgação)


Se distanciando de tendências recentes em direção de arte e fotografia, o longa não adere a paletas desbotadas e ambientação excessivamente escura e com pouca iluminação, característica presente em muitas produções atuais. Pelo contrário, Eternia surge como um universo vibrante e repleto de detalhes, com biomas que se diferenciam a cada novo cenário, esbanjando cores e uma iluminação rica e cuidadosamente trabalhada.

A fotografia merece uma menção honrosa, sendo uma das grandes responsáveis por integrar efeitos práticos e CGI em uma fusão tão eficiente que, em diversos momentos, torna-se difícil distinguir onde termina o cenário físico e onde começa a computação gráfica.

(Foto: Sony Pictures Entertaiment/Divulgação)


Contando com nomes de peso como o compositor Daniel Pemberton (Devoradores de Estrela – 2026 e Os Caras Malvados – 2025), colaborações de Brian May, guitarrista do Queen, e uma música-tema composta e interpretada pela banda The Darkness, "Masters of the Universe", a trilha sonora traz temas nostálgicos fortemente inspirados no pop rock e no synth pop dos anos 80, inseridos de forma orgânica entre as cenas, sem parecerem forçados ou colocados ali apenas para preencher espaço.




Mestres do Universo chega aos cinemas como uma tentativa bem-sucedida de revitalizar um clássico da década de 80 de forma leve e acessível.

O longa entrega um bolo robusto: recheado de nostalgia e referências para os fãs de longa data, mas também decorado com elementos capazes de atrair um público mais jovem ou aqueles que jamais tiveram contato com a série animada ou com a linha de brinquedos da Mattel.

O resultado é uma aventura despretensiosa, brega (no bom sentido) e que ri de si mesma, funcionando tanto para quem cresceu assistindo ao cartoon, quanto para quem procura apenas um filme divertido e visualmente interessante para toda a família.



Mestres do Universo (Masters of the Universe)
04 de Junho de 2026 - 140 Minutos - Amazon MGM Studios / Sony Pictures Entertainment

País: EUA
Gênero: Espada e Feitiçaria, Ação, Fantasia
Direção: Travis Knight
Roteiro: Chris Butler, Irmãos Nee, Alex Litvak, Michael Finch
Elenco: Nicholas Galitzine, Camila Mendes, Idris Elba, Jared Leto

★★★★


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