[Crítica] Corações Jovens
Existem filmes que tentam emocionar através de grandes reviravoltas, discursos impactantes ou tragédias pesadas. Corações Jovens segue pelo caminho oposto. O longa belga dirigido por Anthony Schatteman encontra sua força justamente na simplicidade.
A história acompanha Elias, um garoto que começa a descobrir sentimentos que nunca havia experimentado antes quando conhece Alexander. A partir daí, o filme constrói uma narrativa sobre primeiro amor, inseguranças e autodescoberta sem transformar isso em um grande drama. Tudo acontece de forma muito natural, quase como uma lembrança de adolescência que poderia pertencer a qualquer pessoa.
O que mais me chamou atenção foi a forma como o diretor confia nos seus personagens. Há muitos momentos em que o filme prefere um olhar, um silêncio ou uma expressão tímida em vez de explicar tudo ao espectador. Essa escolha dá autenticidade à história e faz com que as emoções pareçam reais. Lou Goossens e Marius De Saeger entregam atuações extremamente sinceras, sem exageros ou artificialidade.Outro ponto forte é a atmosfera. A pequena vila onde a trama acontece transmite uma sensação de conforto, reforçada pela trilha sonora delicada de Ruben De Gheselle. É aquele tipo de filme que parece abraçar o espectador em vez de tentar chocá-lo.
Ao mesmo tempo, entendo algumas das críticas que a produção recebeu. Em determinados momentos, a história parece idealizada demais. Alguns conflitos familiares e sociais são resolvidos de maneira tão tranquila que podem soar otimistas além da conta. Dependendo da experiência de vida de cada espectador, isso pode passar uma sensação de conto de fadas.
Também não é um filme que reinventa o gênero coming-of-age. Quem já assistiu muitas histórias sobre amadurecimento e primeiro amor provavelmente reconhecerá vários elementos familiares. Além disso, o ritmo é bastante contemplativo e pode parecer lento para quem prefere narrativas mais movimentadas.
Mesmo assim, saí da sessão com uma impressão positiva. Em uma época em que tantas histórias sobre jovens LGBTQIA+ acabam focando exclusivamente na dor, no preconceito ou na tragédia, Corações Jovens escolhe falar sobre afeto, descoberta e esperança. Talvez não seja um filme revolucionário, mas é um filme necessário.
No fim das contas, Corações Jovens não tenta mudar o mundo. Ele apenas lembra que o primeiro amor, com todas as suas dúvidas e inseguranças, pode ser uma experiência bonita. E às vezes isso já é suficiente.


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