[Crítica] Dia D (Disclosure Day)
Steven Spielberg passou décadas ajudando o cinema a construir nossa imagem dos extraterrestres. De "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" a "E.T.", ele sempre preferiu o fascínio ao medo. Em "Dia D", o diretor retorna a esse território familiar, mas agora através de uma história que mistura conspiração, memória perdida, política e uma pergunta capaz de mudar a humanidade para sempre: o que aconteceria se a verdade sobre a vida extraterrestre fosse finalmente revelada ao mundo?
A trama acompanha dois personagens cujas vidas parecem não ter ligação alguma: uma repórter responsável pela previsão do tempo em uma cidade do Kansas e um hacker que trabalha para uma empresa associada à defesa nacional dos Estados Unidos. Aos poucos, ambos descobrem que compartilham um passado em comum e que suas histórias estão ligadas a um segredo guardado há décadas.
Spielberg conduz essa jornada como poucos diretores conseguem fazer. Existe um forte senso de maravilhamento em cada descoberta, ao mesmo tempo em que a narrativa mantém um clima constante de mistério e perseguição. Em vários momentos, o filme lembra um herdeiro espiritual de "Contatos Imediatos" e "E.T.", não por compartilhar personagens ou acontecimentos, mas pelo mesmo olhar curioso e quase infantil diante do desconhecido.
Nem tudo funciona perfeitamente. Alguns efeitos visuais impressionam, mas em determinadas cenas a computação gráfica se aproxima do chamado vale da estranheza, causando um leve desconforto visual que destoa do restante da produção. Felizmente, são momentos pontuais em um filme visualmente bastante competente.
O aspecto mais interessante da obra talvez esteja nas discussões que ela provoca. O roteiro brinca com diferentes interpretações científicas, filosóficas e religiosas sobre a existência de vida extraterrestre. Para alguns personagens, a revelação representaria o colapso de antigas certezas. Para outros, seria apenas mais uma peça de um universo muito maior do que imaginamos.
A tensão criada em torno da possibilidade de décadas de documentos, registros e evidências serem exibidos ao vivo para toda a humanidade é o combustível que move a narrativa. E é justamente aí que Spielberg encontra seu tema favorito: não os alienígenas em si, mas a reação humana diante do impossível.
"Dia D" talvez não esteja entre os trabalhos mais revolucionários de sua carreira, mas prova que Spielberg continua dominando uma habilidade rara no cinema moderno: fazer o público sair da sala olhando para o céu e se perguntando se estamos realmente sozinhos.
Veredito: Um thriller de ficção científica com alma de aventura clássica, que mistura conspiração, emoção e questionamentos existenciais em uma história que parece conversar diretamente com os grandes sucessos extraterrestres da carreira de Spielberg.



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