A nova adaptação para as telonas de Resident Evil chegou e não parece o que se esperava!
O novo Resident Evil finalmente entendeu os jogos?
Eu fui assistir ao novo Resident Evil em uma cabine de imprensa e confesso: saí da sessão bem mais surpreso do que esperava. E não é porque o filme tenta simplesmente reproduzir algum dos jogos. Na verdade, acontece justamente o contrário.
Dessa vez, não temos Jill, Chris, Leon, Claire ou qualquer outro dos protagonistas conhecidos. A história acompanha um personagem novo, vivendo uma situação paralela dentro do universo de Resident Evil. E foi justamente essa escolha que me chamou atenção. Manteve a atmosfera dos dos primeiros jogos e de Outbreak com uma pessoa comum em meio ao caos, sem precisar dos personagens dos jogos, mas ocorrendo em paralelo, drante os acontecimentos dos jogos.
Depois dos filmes estrelados pela Alice, que eram divertidos, mas cada vez mais voltados para a ação, da série da Netflix problemática e daquela tentativa de juntar elementos dos primeiros jogos em uma história completamente reorganizada (mas que foi mal organizada, diga-se de passagem), finalmente temos um filme que me passou uma sensação que eu não tinha tido nas adaptações anteriores:
“Isso parece Resident Evil.”
E não é apenas por causa dos "zumbis" e monstros infectados.
A atmosfera lembra bastante os primeiros jogos. Existe aquela sensação de entrar em um lugar que você não conhece, explorar, descobrir o que aconteceu, encontrar uma ameaça e nunca saber muito bem o que está esperando na próxima área.
Até algumas escolhas de câmera me fizeram lembrar de diferentes fases da franquia, incluindo Resident Evil Outbreak e Resident Evil Village.
E o filme também entende uma característica muito particular de Resident Evil: o horror pode ser realmente tenso e, ao mesmo tempo, existir um certo humor absurdo no meio daquele caos.
A comédia funciona justamente porque não transforma tudo em paródia. O protagonista reage às situações de uma maneira bastante humana, e isso cria momentos engraçados sem destruir completamente a tensão.
Também gostei muito da maneira como as referências aos jogos aparecem.
Não parece que alguém parou a história para dizer “OLHA A REFERÊNCIA!”.
Elas simplesmente estão ali.
Um exemplo que achei particularmente legal é a presença da máquina de escrever em uma sala de save. Para quem conhece os jogos, aquilo tem um significado imediato. Para quem não conhece, continua sendo simplesmente um elemento daquele ambiente.
É assim que eu gosto de fan service.
O filme não precisa copiar a história de Resident Evil 1, 2 ou 3 para lembrar os jogos. Ele parece muito mais interessado em reproduzir a sensação de estar jogando um deles.
E talvez essa seja justamente a maior surpresa dessa nova adaptação.
Não sei se todo fã vai concordar comigo (e certamente existem escolhas aqui que vão dividir opiniões), mas, pessoalmente, saí da sessão pensando que finalmente alguém encontrou uma maneira interessante de levar Resident Evil para o cinema sem simplesmente tentar transformar um jogo em filme (o que deu muito errado nas vezes anteriores, com vários jogos).
Sem spoilers: vale a experiência.
E agora eu quero saber o que vocês acharam.
Nota: 8,5